Agora Escolha

O famoso programa da RTP, transmitido entre a década de 80 e 90, paira ainda no imaginário de muitos. Mas o apelo é outro e por isso foquemo-nos noutras escolhas.

A memória não falha quando pensamos em abril. Abril personifica o sentimento de Revolução e Liberdade conquistada e com ele aparecem nomes incontornáveis da Democracia. Cunhal, Soares, Freitas ou Sá Carneiro são espécimes imediatos. Independentemente dos níveis de concordância individuais com cada um deles, a verdade é que deixaram um legado histórico de Democracia. As divergências eram muitas, mas nunca se assistiu ao fomento de ódio ou atos controversos como colocar Pessoas contra Pessoas.

Se tiver de escolher uma qualidade que unia esses grandes nomes de abril, não hesito: humanismo era o ponto de ligação entre eles. Por essa razão, também lhes devemos o feito de Portugal ter alcançado ao longo de décadas o pacifismo e tranquilidade que lhe são reconhecidos a nível mundial.

Até ao final do ano seremos chamados a escolher os nossos representantes locais. Expressar uma preferência nas urnas significa votar no futuro, logo há que refletir. Não podemos aceitar que os princípios democráticos conquistados, que ainda mais vida e significado têm durante este mês, sejam agora postos em causa a troco de uma qualquer eleição ou ato de sobrevivência partidária - interna ou externa.

E se o mote é a (boa) escolha, alguns nomes selecionados para cidades vizinhas da capital (pelo segundo mandato consecutivo) demonstram, acima de tudo, um grande desrespeito pelas populações desses Concelhos. Importa pouco se vencem ou não as eleições. A grande relevância está no ataque pessoal e no processo de destilar ódios viscerais infundados, seja em Loures há quatro anos ou agora na Amadora.

A uns meros 4 quilómetros do Marquês de Pombal surgem candidaturas que propagam sementes de separação e envergonham a generalidade dos cidadãos. As pessoas não vivem, nem querem viver, em estanqueidade. Movimentam-se entre concelhos, desenrolam a sua vida em vários locais e têm uma visão, ainda que periférica, sobre o que se passa nas cidades contíguas.

Quando a campanha arrancar em Lisboa, é quase certo que 1 em cada 10 cidadãos abordados pelos Candidatos serão eleitores que vivem fora da capital. Como é possível que o líder de um dos maiores partidos portugueses possa sequer sugerir que há candidatos "maus" para o Parlamento, mas "bons" para as autarquias? Para além do desespero e desnorte absoluto, ficou no ar um sentimento de desrespeito pelos autarcas e pelas pessoas que os elegem. Estaremos a assistir ao ruir de um dos grandes partidos?

Há muitas razões para não escolher mal. Um autarca incapaz e incendiário repercutirá os efeitos da sua inabilidade durante quatro longos anos. Atribuir um cartão vermelho a este conjunto de oportunistas significa penalizar os próprios e quem os escolhe, respeitar os princípios democráticos e os valores históricos que nos foram transmitidos e sobre os quais assentam a nossa democracia.

Agora escolha.

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