A Presidência que o país procura

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No próximo domingo, os portugueses escolhem o próximo Presidente da República. Mais do que uma eleição, é um momento de consciência coletiva. Num tempo em que tantas famílias vivem com incerteza, em que o custo de vida pesa no orçamento mensal, em que a habitação continua distante para muitos jovens e em que cresce a sensação de insegurança e instabilidade, esta escolha ganha um significado ainda mais profundo.

Portugal atravessa uma fase exigente. Há cansaço, há desconfiança e há uma perceção clara de que, demasiadas vezes, o sistema político fala mais para dentro do que para as pessoas. Durante décadas, o país habituou-se à alternância entre os mesmos protagonistas, às mesmas soluções e aos mesmos discursos moderados que raramente produziram mudanças estruturais. Quando o país enfrenta dificuldades reais, os cidadãos procuram algo simples mas essencial: alguém que esteja ao seu lado. Que compreenda as suas preocupações, que partilhe as suas angústias e que fale com clareza.

É neste contexto que muitos veem em André Ventura um sinal de rutura. Independentemente das leituras ideológicas, é impossível ignorar a transformação política que ocorreu nos últimos anos. O Chega consolidou-se como segunda força política nacional e rompeu com o modelo bipartidário que dominou a vida democrática. Esse crescimento é transversal, sustentado e assente numa mobilização que traduz insatisfação, mas também esperança numa alternativa.

A candidatura presidencial de André Ventura não é apenas uma extensão partidária, é, para muitos, a expressão de uma exigência. Exigência de maior firmeza na defesa da autoridade do Estado, de maior vigilância sobre o cumprimento da Constituição e de maior proximidade às preocupações concretas das famílias. Num país onde a Justiça é frequentemente percecionada como lenta, onde os serviços públicos enfrentam dificuldades e onde o esforço de quem trabalha nem sempre encontra reconhecimento, a ideia de uma Presidência mais interventiva ganha relevância.

Uma eleição presidencial não se decide apenas com programas. Decide-se também com identificação. As pessoas querem sentir que o Presidente compreende as suas dificuldades, que não relativiza os seus problemas e que está disposto a exercer a magistratura com convicção e responsabilidade institucional. Querem uma figura que represente estabilidade, mas que não confunda estabilidade com imobilismo ou comodismo.

O debate destas presidenciais deixou de ser apenas uma disputa entre espaços ideológicos tradicionais. Tornou-se uma reflexão mais ampla sobre continuidade ou transformação. Sobre manter o registo habitual ou abrir um novo capítulo na relação entre os cidadãos e o poder político.

Domingo será, acima de tudo, um momento de escolha racional e emocional. O Presidente da República é o garante da unidade nacional e o símbolo máximo de Portugal. Num tempo de incerteza, muitos procuram alguém que esteja, sem hesitações, ao lado dos portugueses.

Seja qual for o desfecho, uma realidade é incontornável. O país já iniciou um ciclo de mudança política. E quando uma parte significativa da sociedade sente que precisa de ser ouvida, a democracia fortalece-se precisamente nesse momento de decisão.

Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

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