Corre o ano de 2085. 63 anos após a invasão russa, João Oleksandr, descendente de uma família da extinta Ucrânia, sobrevive como pode através do seu corpo postiço, com medo da radiação que ainda paira no local onde vive. João, circula e interage com os amigos, sem sair de casa (Os substitutos, 2009)..A quantidade de humanoides que circula na rua está em crescendo. De uma forma ou de outra os seres humanos começaram a resguardar-se devido à irrespirabilidade do ar e ao contexto social em que se vive..Os polícias que adivinham os crimes através da sua tecnologia premonitória entraram também em falência (Relatório Minoritário, 2002). O mundo foi tomado por pequenas tribos que se fazem valer pelas suas qualidades tecnológicas ou pelas suas habilidades guerreiras, que defendem os seus territórios até à morte (The 100, 2014)..Os indivíduos com malformações genéticas começam agora a aparecer. São crianças com alterações orgânicas visíveis, com capacidades motoras e intelectuais acima da média. (Sweet Tooth, 2021).João ficou a conhecer a existência desta evolução no ser-humano através de Vox, o bibliotecário digital que sabe de tudo e sobre tudo, com particular detalhe sobre as guerras que têm vindo a assolar o nosso mundo (A Máquina do Tempo, 2002), e que lhe dizia numa conversa: "Estes são os mais perseguidos. Não vai ser fácil sobreviverem.".João Oleksandr queria muito sair naquela tarde. Equipou-se, protegeu-se e até uma venda nos olhos colocou com receio que ao ver o nível de criminalidade apocalíptica em que vivia, ficasse cego (Bird Box, 2018)..Acabou por sair, dirigiu-se a medo, ao café mais próximo, tentando imitar o comportamento de um humanoide para não ser reconhecido, e Arthur, o seu amigo dróide após uns dedos de conversa lá lhe disse que o melhor que podia acontecer era adormecer-se a população, mantendo-a viva, mas inativa por umas boas centenas de anos e esperar que o mundo se regenerasse (Passageiros, 2016)..Arthur, confidenciou a João Oleksandr que o próximo apocalipse seria talvez o da falta de água. Que inclusivamente, no bar, já se começava a ouvir falar da criação de gangs que fariam por tudo para controlar os recursos naturais que começavam a escassear (Mad Max, 1979)..Passaram 63 anos desde a guerra da Ucrânia, pensou João Oleksandr, não fosse essa guerra, não fosse a ganância de alguns, e o mundo não estava como está..Felizmente, digo eu, isto é só um texto especulativo do que pior nos pode acontecer com estas guerras, com a ganância e com o orgulho ferido..Alguém entendido em línguas, que o traduza e envie para o Putin, pois nunca se sabe o poder que as palavras podem ter!.Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia