A coligação PS, Chega e Bloco

Caminhamos para eleições legislativas a 30 de Janeiro, marcando o fim do segundo governo liderado por António Costa. Altura de fazer avaliação e balanço. Que legados ficam de Costa enquanto primeiro-ministro?

Comecemos pelo legado político.

Em 2015, com o seu habitual instinto de sobrevivência, que alguns designam como habilidade, e perante uma "bola curva" lançada por Jerónimo de Sousa, Costa brindou Portugal com uma coligação governativa de base parlamentar, posteriormente baptizada de geringonça. Politicamente legítima, esta solução juntou, numa primeira legislatura assente em acordos escritos, PS, Bloco de Esquerda e PCP, a que se acoplaram Os Verdes e PAN.

O que deu a Portugal e aos portugueses?

O aprofundamento da degradação social e da estagnação económica, o aumento da população a viver na pobreza, serviços públicos à beira do colapso e o controlo quase absoluto do aparelho do Estado, quer colocando clientelas, quer afastando vozes incómodas. É este, em resumo, o legado da governação do PS com a cumplicidade dos restantes partidos da esquerda parlamentar.

Mas não foi este o único quadro político orquestrado por António Costa.

Em 2019, com a geringonça cada vez mais fragilizada, e não existindo nenhum outro fantasma troikiano para assustar os incautos, veio à tona uma nova coligação para alimentar o instinto de sobrevivência de António Costa.

Ele precisava de manter anestesiados os partidos à esquerda, continuando a dar-lhes umas prebendas nos orçamentos do Estado. Para isso necessitava de minar o campo oposto, impedindo a construção de uma alternativa não socialista.

Estava ali, mesmo a jeito, alguém ávido de notoriedade e capaz de dizer tudo e o seu contrário. No parlamento encontrava-se o actor ideal para Costa acenar com um novo bicho-papão. Era só cutucar o sedento populista e fazê-lo crescer. Assim aconteceu.

Mas nem só o PS tentou fazer crescer um partido extremista de direita. O Bloco foi pelo mesmo caminho. Alimentando polémicas com o extremo oposto, enquanto tentava roubar protagonismo ao PCP, seu vizinho e seu rival, reduzindo o peso eleitoral de comunistas. Acreditando poder tornar-se um parceiro inevitável para o PS.

O crescimento em sondagens do Chega resulta muito do tacticismo do PS e do Bloco. O Chega é o novo BFF (best friend forever) do Bloco e o melhor seguro de vida para António Costa permanecer agarrado ao poder.

Este é o legado de Costa: duas nefastas coligações para Portugal. A coligação geringonça e a coligação tripartida PS-Chega-Bloco. Que junta o pior da esquerda ao pior da direita.

Quem procura uma solução de governo alternativa a este rumo nocivo em Portugal não pode dar o seu voto a qualquer destes partidos. É preciso rejeitar mais do mesmo e escolher uma opção diferente.

É preciso escolher uma opção que aponte ao crescimento económico e ao desenvolvimento social do país, que garanta a simplificação da vida dos portugueses, que crie condições para mais investimento e criação de riqueza, para que assim seja possível subir na vida pelo esforço de cada um. Para que este rumo seja possível, é preciso dar força ao partido que tem estes objectivos no seu programa e prática política. Isso é que será útil para o país. Portugal só terá crescimento e os portugueses só serão verdadeiramente livres se a Iniciativa Liberal aumentar a sua representatividade no parlamento.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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