Com o regresso às aulas, milhares de professores vão iniciar o trabalho de um empreendedor, sem que ninguém lhes chame isso diretamente. Vão olhar para uma turma concreta, para perceber o que não está a resultar e inventar novas formas de ensinar com os recursos disponíveis. Vão arriscar e ter de inovar todos os dias à frente dos alunos.
Habituámo-nos a procurar o empreendedorismo nas chamadas incubadoras e nas startups. A Comissão Europeia define o empreendedorismo, no quadro europeu das competências empresariais "EntreComp", como uma competência transversal para a vida. É a capacidade de identificar uma oportunidade e agir sobre uma ideia com a incerteza de poder não ter a resposta certa, mas, ainda assim, mantendo sempre a coragem de acreditar e de não ter medo de falhar na possibilidade de gerar valor acrescentado.
Referimo-nos a esta lógica aplicada às empresas, mas também é verdade na escola: o professor que ensina e o aluno que observa o professor a ensinar. Um aluno que aprende a resolver um problema real, a testar uma solução e a corrigi-la leva consigo a competência que acreditamos ser a mais relevante num mundo em constante aceleração: saber aprender e empreender para, se necessário, aprender de novo, aprender sempre ao longo da vida.
A mesma competência acompanha uma vida inteira e a mesma falha repete-se em cada etapa. O aluno que aprendeu a testar uma ideia chega à universidade e precisa de quem o ajude a transformá-la num protótipo. A equipa que funda uma startup precisa de aprender a crescer sem perder o rumo. O empresário de uma Pequena e Média Empresa (PME), com anos de mercado, precisa de aprender a reinventar-se para competir lá fora. No empreendedorismo, o momento mais frágil ou mais difícil é o mesmo: aquele em que é preciso arriscar antes de existirem provas de que teremos sucesso. Aprender, aprender, aprender – esta não é apenas uma fase da vida, é o fio que liga a sala de aula à empresa.
Um estudo recente da Rede Capital Social concluiu que ao setor filantrópico português não falta vontade, mas estrutura. Na Educação, essa estrutura pode começar por reconhecer quem já está a empreender todos os dias, sem esse nome, numa sala de aula. Por si mesmo, ou por quem tem a flexibilidade de trazer para a sala de aula novas metodologias de inovação social que, num ciclo virtuoso, vão sendo experimentadas para melhorar a aprendizagem.
Se empreender é uma competência que se desenvolve ao longo da vida, o apoio ao empreendedorismo também não deve existir apenas num único momento. Quando procuramos os próximos empreendedores portugueses, não devemos começar apenas pelas incubadoras ou pelas empresas.
Muitos dos futuros empreendedores estão, neste momento, sentados numa sala de aula a aprender que, perante um problema, podem experimentar uma nova solução, errar, corrigir – e tentar novamente.
Na Fundação Santander, acabamos por ter contacto com todos os níveis: com os futuros professores que pensam e inovam caminhos, com parceiros que estimulam a inovação pedagógica, com as universidades que criam os mecanismos para os estudantes serem estimulados – e, no Santander X, com a capacitação e a rede em torno das startups e das PME.
Em cada etapa, os desafios mudam, mas permanece a necessidade de aprender, testar, adaptar e continuar a inovar. Os prémios Santander X Awards reconhecem isso mesmo, premiando os que continuam a reinventar-se e a procurar novas oportunidades de crescimento – tanto para a Educação em Portugal de forma direta, como para o desenvolvimento dos talentos dessas mesmas empresas, que somam frutos económicos. Porque, como escreveu Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo.”
Vamos começar por mudar Portugal?