Não chegava já o aumento do custo de vida, agora também nos saiu Passos Coelho outra vez ao caminho.
As coisas parecem não estar ligadas, mas estão.
A história mostra que a agudização da(s) crise(s) capitalista(s) arrasta(m) consigo a agudização da exploração de quem trabalha e o empobrecimento geral e acelerado das camadas populares. Foi isso que aconteceu durante o designado “período da troika”.
Num momento em que o custo de vida dispara para níveis insuportáveis e o Governo acusa o desgaste por não tomar medidas que contrariem essa situação, a entrevista daquele ex-primeiro-ministro não é um acaso.
Passos Coelho quis mostrar que continua disponível para os trabalhos “mais sujos” da política de direita.
A entrevista de Passos Coelho não é uma ameaça ao PSD, muito menos a Luís Montenegro. É o ex-primeiro-ministro da troika a fazer concorrência ao actual Governo. É uma oferta para completar o trabalho que sente que ficou por acabar ou até levá-lo mais longe.
Passos Coelho deu aquela entrevista a anunciar que continua cá para as curvas e a oferecer-se aos “Donos Disto Tudo” para o que for preciso.
O povo ficou a saber que os “Donos Disto Tudo” – que beneficiaram da política de saque, exploração e empobrecimento feita pelo Governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas nos idos da troika – continuam a contar com o ex-primeiro-ministro se a actual fórmula governativa e respectivo suporte parlamentar não forem suficientes para os seus intentos.
Passos Coelho fixa-se na ideia de que PSD e CDS governam navegando à vista. Sabe que há uma gestão táctica de conveniência nos acordos que vão fazendo, ora com IL e Chega, ora com o PS. E sabe que essa gestão táctica, por enquanto, tem sido suficiente para levar a água ao moinho dos grupos económicos que, nas mais variadas áreas e sectores, vão aplaudindo satisfeitos a política de direita feita pelo governo de turno.
Mas esse fio de raciocínio apenas serve a Passos Coelho para deixar a pergunta sobre o futuro em que ele próprio encaixa: e quando isso não for suficiente?
Lendo a situação, Passos Coelho percebe os riscos e limites da gestão táctica feita pelo Governo de Montenegro. Em sequência disso anuncia-se disponível para ser o capataz de uma solução política que, congregando todo o tipo de forças tenebrosas numa aliança espúria, imponha de forma ainda mais impiedosa as vontades dos grupos económicos, esmagando os direitos de quem trabalha e as condições de vida do povo.
A quem servem a entrevista e a predisposição de Passos Coelho, está à vista. A questão agora é a de saber que resposta se lhes dá.
Na luta contra o aumento do custo de vida, em defesa dos direitos de quem trabalha, pelo aumento de salários e pensões, pelo acesso à habitação, à Saúde e à Educação está a exigência de uma alternativa que esconjura a política que sustenta Passos Coelho.
Saindo à rua no próximo dia 17, o povo dá uma primeira parte da resposta. Outras se seguirão.
Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico