Vivemos numa época marcada por uma crescente instabilidade económica, geopolítica e climática. As redes de cadeias de abastecimento são interrompidas, os mercados oscilam ao ritmo de conflitos internacionais, os fenómenos meteorológicos extremos multiplicam-se e as decisões tomadas em Bruxelas têm impacto direto na vida das empresas portuguesas. Perante este contexto, Portugal não pode continuar a assentar o seu crescimento em bases frágeis ou excessivamente dependentes de setores sujeitos a forte volatilidade.O turismo é um exemplo evidente. Trata-se de um setor fundamental para a economia nacional, responsável por milhares de empregos e por uma importante fatia das exportações. Mas nenhum país constrói uma estratégia económica sólida concentrando uma parte tão significativa da sua riqueza num único setor, particularmente quando este depende de fatores que escapam ao nosso controlo, desde crises sanitárias a conflitos internacionais ou fenómenos climáticos.Uma economia resiliente exige uma base produtiva diversificada, capaz de resistir aos choques externos e de criar riqueza de forma sustentada. Portugal possui setores tradicionais que, ao longo de décadas, demonstraram precisamente essa capacidade. O vinho, a cortiça, o calçado, os têxteis, a agroindústria, o processamento de tabaco ou a indústria transformadora continuam a afirmar-se nos mercados internacionais pela qualidade, inovação e capacidade exportadora. São setores profundamente enraizados no território, geradores de emprego qualificado e essenciais para a coesão económica e social do país.Mas defender estes setores não significa rejeitar a inovação. Pelo contrário. O futuro passa por aproximar tradição e tecnologia. Hoje, a agricultura utiliza Inteligência Artificial para monitorizar culturas, otimizar recursos hídricos e aumentar a produtividade. A indústria incorpora robótica, automação e digitalização. Os serviços tecnológicos portugueses conquistam espaço nos mercados internacionais e projetos como o centro de dados de Sines demonstram que Portugal pode assumir uma posição relevante na nova economia digital europeia.Precisamos, por isso, de uma estratégia económica que una o melhor destes dois mundos: proteger aquilo que sabemos fazer bem e investir decisivamente nos setores de elevado valor acrescentado, capazes de reter talento, criar melhores salários e aumentar a produtividade. Portugal continua, infelizmente, a perder milhares de jovens qualificados para o estrangeiro. Sem uma economia mais competitiva e inovadora, continuaremos a exportar talento em vez de criar condições para o fixar.Essa estratégia deve igualmente passar por uma política fiscal mais favorável ao investimento e ao trabalho qualificado. Empresas excessivamente tributadas investem menos, inovam menos e criam menos emprego. Uma fiscalidade equilibrada não representa uma perda de receita; representa uma aposta no crescimento económico, na competitividade e na criação de riqueza.Importa também que Portugal saiba afirmar os seus interesses no contexto europeu. A União Europeia deve ser um parceiro estratégico e não um obstáculo burocrático. Muitas das diretivas comunitárias são concebidas sem atender às especificidades económicas dos diferentes Estados-membros, impondo regras uniformes que penalizam setores fundamentais para países como Portugal. Defender os interesses nacionais em Bruxelas não significa rejeitar o projeto europeu; significa exigir uma Europa mais inteligente, mais proporcional e mais respeitadora das realidades económicas de cada Estado.Os próximos anos serão marcados por desafios exigentes. A melhor resposta não será encontrada em soluções conjunturais, mas numa visão estratégica que fortaleça as fundações da nossa economia. Apostar na produção, na exportação, na inovação tecnológica, nos pequenos empreendedores e na valorização dos setores tradicionais é preparar Portugal para enfrentar as crises futuras com maior confiança e autonomia.Uma economia resiliente não é apenas uma opção política. É uma condição indispensável para garantir prosperidade, estabilidade e oportunidades às próximas gerações de portugueses.