A situação internacional tem tido recentemente desenvolvimentos perigosos com a intensificação de ataques à soberania dos povos, a escalada da guerra e da agressão militar, a promoção de valores e de forças retrógradas, fascistas e antidemocráticas, a agudização da exploração, da pobreza, das desigualdades e injustiças sociais em geral.Mas há também, por todo o mundo, um contraponto a isso na luta dos trabalhadores por melhores condições de vida, na luta dos povos pela paz e pela soberania, em defesa da democracia, da igualdade, do progresso, da justiça social, na posição assumida corajosamente por países que enfrentam o imperialismo norte-americano e contribuem para um processo de rearrumação de forças à escala mundial.Estas foram ideias fortes que marcaram os quatro dias de debate da 1.ª Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos que se realizou entre 26 e 29 de Março, em Porto Alegre, no Brasil.Cerca de três mil pessoas, oriundas de mais de 40 países, trocaram perspectivas e partilharam diferentes experiências de luta e intervenção política e social nos seus países a partir desse enquadramento geral.O retrato que se faz da situação internacional não escapa aos seus desenvolvimentos de sentido mais negativo.Pesam nesse retrato as agressões militares dos EUA, com ou sem o apoio dos seus aliados, contra a Venezuela e o Irão, o cerco e tentativa de estrangulamento económico e humanitário a Cuba, a pretensão de controlo sobre a Gronelândia, as ameaças à Colômbia, ao México, ao Brasil.Pesa também a acção de Israel com a sua política genocida em Gaza e na Cisjordânia, com a guerra contra o Líbano e crescente ocupação do seu território, com a sua participação na agressão contra o Irão.E não deixa de pesar ainda a cumplicidade da União Europeia e a sua atitude de submissão e subserviência aos EUA.Mas a principal mensagem é de determinação e confiança no futuro. Uma mensagem assumida pelas organizações políticas e sociais que participaram na Conferência como compromisso com o desenvolvimento da luta política e social. Uma mensagem traduzida em diversas expressões de solidariedade com a luta dos povos e que é sustentada pela diversidade e multiplicidade de exemplos de lutas que vão abrindo novas perspectivas para a construção desse futuro.Não apagando as diferenças entre realidades nacionais e regionais muito distintas, a Conferência identificou perigos, ameaças e desafios comuns que estão colocados aos trabalhadores e aos povos. Reconhecendo o espaço nacional como espaço decisivo da luta dos trabalhadores e dos povos, afirma-se também a necessidade de estreitar laços de amizade, cooperação e articulação para acumular forças que permitam alcançar objectivos comuns.A mensagem de esperança que sai desta Conferência é afinal mais uma expressão da famosa síntese em que se combina dialecticamente o pessimismo da razão com o optimismo da vontade. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico