O Governo chega ao debate do Estado da Nação de hoje mais fragilizado, mais pressionado e com menos opções do que há um ano. São várias as razões para isso.No ano passado, o debate – o segundo protagonizado por Luís Montenegro como primeiro-ministro, mas o primeiro com André Ventura como líder da oposição e José Luís Carneiro como secretário-geral do PS – ficou dominado pelos temas da Saúde e da imigração..Na imigração, a confirmação de André Ventura de um acordo “informal” sobre a Lei de Estrangeiros e de Nacionalidade com a AD foi alvo de fogo severo da restante oposição, sobretudo devido à anterior garantia de Luís Montenegro sobre negociações com o Chega. O “não é não” há muito que já foi esquecido.A Saúde era um tema bastante mais adverso ao Governo nessa altura. E ainda é. O verão de 2024 tinha sido caótico, com um clima de pré-colapso nas urgências do SNS, especialmente as de Ginecologia/Obstetrícia. Sucediam-se os casos de grávidas a dar à luz dentro de ambulâncias ou às portas dos hospitais e problemas severos nas linhas de atendimento de emergência médica. A ministra Ana Paula Martins esteve por um triz para sair. Luís Montenegro segurou-a.O verão de 2025 não foi muito melhor e, dois anos depois, continua a haver uma escassez crónica de médicos especialistas, que – em casos de grande constrangimento nas escalas – são a origem de limitações severas no atendimento, senão mesmo, e ainda, o encerramento de urgências. Na semana passada, a ministra Ana Paula Martins admitiu limitações ao serviço das urgências nos meses de verão. As reformas continuam, em grande medida, por fazer e a ministra ainda é a mesma. As críticas da oposição, se as houver, ganham ainda mais lastro.."Luís Montenegro tem hoje, pelo menos, mais três ministros a arder: Fernando Alexandre (Educação), Luís Neves (Administração Interna) e Maria do Rosário da Palma Ramalho (Trabalho).”.No debate do Estado da Nação de hoje, a margem do Governo é ainda menor. Mesmo sem contar com as sondagens que evidenciam um decréscimo da AD e uma subida dos mais diretos adversários, PS e Chega, Luís Montenegro tem hoje, pelo menos, mais três ministros a arder: Fernando Alexandre (Educação) tem vindo a falhar sucessivas metas na correção digital dos Exames Nacionais; Luís Neves (Administração Interna) está sob fogo com obras privadas atribuídas a um empreiteiro seu amigo que já tinha feito empreitadas anteriores para a Polícia Judiciária; e Maria do Rosário da Palma Ramalho (Trabalho e Segurança Social), ainda na ressaca de uma derrota vincada na Reforma Laboral que fracassou na Concertação Social, nas ruas e no Parlamento.O Governo – que em janeiro e fevereiro viu metade do país inundado e com graves prejuízos devido às tempestades – ainda teve de enfrentar uma crise no Médio Oriente que fez disparar o preço da energia, sobretudo dos combustíveis. A sua resposta à crise, aliás, tem obtido quase sempre nota negativa dos inquiridos nas sondagens. Só com estes dois eventos, a margem nas contas públicas é curta para devaneios e o ministro das Finanças já admite fechar o ano com um défice.No debate do Estado da Nação do ano passado, o Governo tirou um pequeno “coelho” da cartola: um Suplemento Extraordinário para Pensões (entre 100 e 200 euros) e uma descida faseada do IRC, a que se juntou um aumento do rendimento mensal devido a menores retenções de IRS na fonte. Um “brinde” que o estado das contas dificilmente permitirá que se repita este ano.