No círculo de Trump há alguns sinais de um cruzamento entre a diplomacia e os negócios no Médio Oriente, nomeadamente com os Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Oman e Arábia Saudita.As figuras políticas envolvidas nos negócios no Médio Oriente são, além de Trump, o seu genro, Jared Kushner, Steve Witkoff, amigo do presidente norte-americano e empresário na área imobiliária, e ainda Steven Mnuchin, que foi secretário de Estado do Tesouro no governo de Trump de 2027 a 2021. Kushner e Witkoff são quem, interligados com Trump, desempenham funções diplomáticas no Médio Oriente.O grande empurrão na teia de interesses que se estabeleceu entre o Trump e o seu círculo com o Médio Oriente teve o seu ponto forte com as negociações dos Acordos de Abraão, conduzidas por Kushner, quando alguns países árabes (Emiratos Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão) aceitaram normalizar as relações com Israel. Os acordos possibilitaram aos países que os subscreveram o acesso a tecnologia israelita nas áreas da cibersegurança, Inteligência Artificial, Defesa e agricultura em terrenos áridos.A participação de Kushner nas negociações deu-lhe oportunidade para estabelecer contactos com altos dignatários dos países do Médio Oriente.O genro de Trump, após as negociações dos Acordos de Abraão, criou em 2021 um fundo de investimento, o “Affinity Partners”. que investe capital em imobiliário, tecnologia e inovação e faz investimentos internacionais diversos. O fundo de Kushner recebeu da Arábia Saudita dois mil milhões de dólares. Este dinheiro, saiu do “Public Investment Found”, um fundo controlado por Mohammed Bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita que, em 2022, assumiu o cargo de primeiro-ministro e ministro da Defesa do Reino. Bin Salman foi notícia, segundo fontes da CIA, por, alegadamente, ter ordenado o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do The Washington Post.Kushner está ainda ligado a outros investimentos no imobiliário provenientes do Golfo, nomeadamente, através do fundo “Mobadala Investment Company” dos Emirados Árabes Unidos (EAU) .Witkoff é um compagnon de route de Trump. Tem três filhos. Um deles morreu de overdose. Os outros dois, Alexander e Zachary, articuladamente com o pai, negoceiam em imobiliário e criptomoedas.Alexandre gere a componente dos investimentos imobiliários sendo CEO do “Witkoff Group”, enquanto o seu irmão, Zachary é o proprietário da empresa “Cripto World Liberty Financial”, cuja área de atividade é a criptomoeda.O grupo Witkoff capta financiamentos no Catar e nos EAU. O seu contacto neste último país é Tahnoon Bin Zayed All Nayyan, que é um político e empresário irmão do presidente dos Emirados. Tahnoon é responsável por um dos maiores fundos de investimento dos EAU- o “Mubadala Investment Company”, que tem investido biliões de dólares em tecnologia, energia e imobiliário através do grupo de Witkoff. Tahnoon, membro da realeza do Abu Dhabi, comprou por 500 milhões de dólares, cerca de 40 % da empresa de criptomoeda de Witkoff.No Catar o fundo soberano “Qatar Investment Authority” fez assinaláveis investimentos na empresa imobiliária de Witkoff para projetos nos Estados Unidos.No círculo de Trump com interesses no Médio Oriente há, ainda, Steven Mnuchin, que foi secretário de Estado do Tesouro do actual presidente dos Estados Unidos de 2017 a 2021. Após deixar o governo, Mnuchin fundou uma empresa de capital privado chamada “Liberty Strategic Capital”, que recebeu 2,5 biliões de dólares, parte deste dinheiro proveniente de fundos soberanos do Médio Oriente.Quanto a Trump ele não investe capitais próprios nos países do Golfo. O presidente dos Estados Unidos, na sua condição empresarial, vende a marca Trump. Fá-lo, nomeadamente, á empresa “Damac” , sediada no Dubai . O grupo “Damac“ estende-se por todo o Médio Oriente, com hotéis de luxo em Oman, torres residenciais e hotéis na Arábia Saudita. A marca de Trump faz-se sentir na criação e gestão de alguns destes empreendimentos. Os lucros de Trump surgem, assim, da aplicação da sua marca na gestão, a partir da qual recebe avultadas taxas. Há também investimentos dos Emirados Àrabes Unidos no negócio das criptomoedas, na empresa de Trump, a “World Liberty Finantial”.Trump, o genro, o seu melhor amigo, um ex-governante. Este é o eixo central dos interesses do presidente dos Estados Unidos no Médio Oriente, a que tem sido entregue a diplomacia do mais poderoso país do mundo num estranho cruzamento entre a política e os negócios.