Celebramos, neste mês, o Dia do Trabalhador. Em 2026, ainda existem muitas lutas longe de serem resolvidas. Segundo a Pordata, Portugal continua a ser um dos países com níveis salariais mais baixos e com mais contratos temporários entre os jovens. Contudo, somos dos países com maior taxa de empregabilidade nos jovens (entre os 25 e os 29 anos). Continuamos com desigualdade salarial entre homens e mulheres para a mesma função e com diferenças ao nível das oportunidades.Por outro lado, comparativamente a outros países da União Europeia, Portugal é o quinto país que trabalha mais horas por semana, registando uma média de 39,7 horas semanais. Estas são horas registadas, ou seja, este número pode ser superior à realidade. Sabemos que culturalmente é aceite e estimulado o trabalho fora de horas, e ainda mal visto em certos contextos organizacionais, terminar de trabalhar à hora estipulada ou não dar continuidade em casa e inclusive ao fim-de-semana. Contudo, ao nível da produtividade aparece na parte inferior do ranking. Enquanto que na média da UE cada pessoa contribui com cerca de 74 mil euros para o produto interno bruto (PIB), em Portugal, o valor é de 48 mil euros.Mais concretamente, em Portugal o contributo de cada hora de trabalho é menor do que a maioria dos países da União Europeia. Não temos de trabalhar mais, temos de aprender a trabalhar melhor. Sair de métricas de presença e de observação do trabalho para métricas de objetivos. Abandonar o modelo de dez ou doze horas de trabalho, que não é viável para um trabalho focado e de qualidade, para um modelo de seis ou sete horas rentáveis. Deixar uma visão de cumprir somente obrigações legais para olhar para o propósito, o cuidado pelas pessoas, sempre com uma visão de futuro.Esta é uma mudança necessária e, aos poucos, vamos acompanhando o despertar para este tema nas organizações. Ter continuamente equipas esgotadas não é rentável nem saudável. Contudo, esta é mais do que uma mudança de políticas, é uma mudança na forma de gerir o negócio, de liderar, de encarar o trabalho e na responsabilização de cada um sobre o seu tempo e a sua saúde.Com o rápido desenvolvimento da tecnologia, da inteligência artificial e outras ferramentas, a eficiência pode ser melhor. Trabalhar horas a fio não inverte estas métricas, não nos torna mais produtivos nem mais competitivos. Quando interiorizarmos isso, ganhamos todos: pessoas, organizações e sociedade.