Algumas pessoas que leem os meus artigos brindam-me, com frequência, com dados de fontes internacionais, como por exemplo:
As principais lideranças mundiais da Índia:
Arroz: a Índia consolidou-se como a maior produtora mundial de arroz, com 154 milhões de toneladas (MT) anuais, além de ser a maior exportadora global do cereal;
Leite: é o maior produtor mundial de leite desde 1997 (produção de 248 MT em 2025; o 2.º são os EUA, com 104 MT);
Manga: 1.º produtor mundial, com 50% do total, equivalente a 25 MT anuais;
Banana: 1.º produtor, com 26% do total e 37,6 MT em 2025;
Leguminosas e milhete: 1.ª posição global nas leguminosas, feijões e milhete (sorgo/painço). E na cebola, com 30,7 MT.
Ocupa o 2.º lugar global em:
Trigo: com safras de 117 MT;
Batata: produção de 60 MT anuais;
Cana-de-açúcar: fica apenas atrás do Brasil;
Frutas e vegetais: 2.º maior produtor de hortaliças e frutas;
Algodão e amendoim: 2.ª posição global;
Seda: 2.º maior produtor e consumidor de seda do planeta.
A Índia tem o apoio de uma das maiores e mais robustas redes de investigação agrícola do mundo, coordenada pelo Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (ICAR).
A estrutura central de Investigação e Desenvolvimento (I&D) de agricultura na Índia está organizada desta forma:
113 institutos ICAR: esta rede nacional inclui institutos de pesquisa específicos para culturas, horticultura, engenharia agrícola, recursos naturais, ciência animal e pescas.
74 universidades agrícolas: universidades focadas inteiramente no ensino e na investigação do setor, distribuídas por todo o país. (cfr. Google.com).
A total pobreza e fome a que a colonização britânica reduziu a Índia levou o Governo independente a tomar medidas que a fizessem esquecer todo o espectro passado da fome, tentando produzir o máximo possível e importando quando necessário, para ninguém se angustiar pensando na fome.
Nos anos 1960 e 70 teve grande implantação a Revolução Verde (RVerde), centrada na selecção e cultivo de cereais de alta produtividade e resistentes às inclemências do tempo. Houve grandes importações nos anos pós-independência, sendo a maior de 9MT em 1969. Os efeitos da RVerde foram muito bons, a ponto de, pouco depois de 1970, não ser preciso importar quantidades substanciais de cereais.
A RVerde criou uma mentalidade de buscar sempre o melhor e mais produtivo, coisa que foi atravessando os tempos, replicando-se na produção hortofrutícola mais variada.
Nos últimos anos, com a crise Rússia/Ucrânia, a Índia exportou cerca de 23MT de cereais, depois de alimentar toda a sua população e manter um bom stock de segurança para emergências.
Após os primeiros anos de estagnação económica da Índia independente, com um modelo económico decalcado no da União Soviética, que durou até 1991, deu-se a grande viragem, com notável impulso de crescimento, num modelo de economia de livre iniciativa. Passou a haver muita disponibilidade de recursos para investir, sem se ser coarctado, como sucedia no regime de planeamento central.
De um momento para o outro, tudo começou a desenvolver-se: a indústria, com exportações cada vez maiores; os serviços, sobretudo de base tecnológica, como as TI, as comunicações e a Internet; a indústria farmacêutica, a de joalharia, etc.; foi-se recuperando a indústria têxtil, de alta qualidade, totalmente destruída pelo colonizador. Também na agricultura e nas correlativas indústrias transformadoras; a grande produção de filmes de Bollywood e análogos; os serviços de engenharia, de cuidados de saúde e turismo, etc.
A produção agrícola foi acompanhada da proliferação das cooperativas de leite do modelo de Anand, com a marca AMUL, e de variadas outras cooperativas de outros produtos agrícolas e industriais.
As inovações, neste campo, deram-se sobretudo no âmbito do agricultor. Vejam-se alguns exemplos:
Na escolha do que cultivar e das espécies mais produtivas e de maior valor de mercado;
O sentido de poupar água levou à rega gota-a-gota, hoje em grande progressão;
Na produção de fertilizantes naturais, por via da compostagem, tentando pôr de parte os produtos químicos, tanto nos fertilizantes como nos pesticidas; há Estados em que este aspecto está em grande expansão, como o Guzerate, o Punjab, o Andhra Pradesh, etc. Associam-se muito os fertilizantes químicos e os pesticidas a fontes de doenças, muito em particular aos cancros. E a produtividade da terra é tão boa ou melhor com fertilizantes e pesticidas naturais. Eles não destroem os microrganismos responsáveis pela fixação do nitrogénio e pela produção de outros nutrientes necessários ao crescimento e produção da cultura; e melhoram a taxa de polinização, com óbvios melhores resultados na produção de fruta e cereais.
Embora já presentes em países ricos, devido à pobreza da Índia explorada, as estufas, quer de plástico quer de vidro, só agora entraram em força, esperando-se que progridam rapidamente. Cerca de 50.000 hectares de estufas já funcionam, com uma produtividade que pode chegar a 2, 4 e até 10 vezes a produção ao ar livre. Além de permitirem hortaliças e vegetais fora de época.
-No Guzerate, na região desértica do Rann de Kutch, numa área de 19.000 hectares, plantaram-se tamareiras, cerca de 2 milhões de pés, com boa produção, que chegará ao valor anual de 180.000 toneladas. Foram cultivadas ao longo da zona semi-árida, com rega gota-a-gota das plântulas. O clima local modificou-se hoje radicalmente com a presença de 2 milhões de tamareiras; os proprietários de pequenas parcelas da zona plantada tiveram um bom desconto para adquirir as plântulas, pelo que quase todos aderiram.
Está-se a divulgar intensamente a produção de cogumelos em variados Estados. Alguns deles dão uma participação de 75% nas obras de adaptação para produzir cogumelos em quantidade. Note-se que a Índia se adaptou muito bem ao seu consumo e produção. Os Estados maiores produtores, com mais de 50.000 toneladas, são o Uttar Pradesh, o Bihar e o Odisha, e outros estão a fazer dessa produção a sua missão, pelas qualidades nutritivas, pela facilidade de produção e por ser uma ótima fonte de rendimento para as mulheres rurais.
Agricultores têm experimentado variedades de maçãs que se dão bem nos climas frios e temperados, como nos Estados de Jammu e Caxemira e nos Estados do Nordeste, para ver como se comportavam em Estados com altas temperaturas. E tiveram grande sucesso. A variedade HRMN-99 pode cultivar-se em Estados como o Rajastão, onde Santosh Devi Khedar, do distrito de Sikar, possui um terreno de um acre (cerca de 4000m²), no qual plantou 100 macieiras dessa variedade. A variedade prospera com temperaturas de verão que chegam aos 50°C. Ela utiliza métodos orgânicos, e as árvores dão uma produção elevada – cerca de 80kg por pé –, necessitando de uma quantidade mínima de água.
Todas estas experimentações lembram o tempo dos Descobridores Portugueses, que levavam nas suas embarcações plântulas de um certo tipo, para ver como se davam e se tinham boa produtividade no local do porto de destino. Desta forma, a acção portuguesa fez espalhar enorme variedade de cereais, hortaliças e fruta de que hoje não se sabe a proveniência, criando um enorme valor económico na sua difusão.
Há hoje muitos vegetais para escolher e cultivar, graças à Escola de Sagres e à sua forma sistemática e investigadora de proceder e de difundir as espécies melhores para a alimentação humana e as mais produtivas. Foi sem dúvida uma visão do futuro importante e benéfica para as gerações vindouras. Por exemplo, nos seculos XV-XVI os Portugeses levaram a bananeira da costa africana para as Canárias, Madeira e Açores. Depois, para o Brasil e Caraíbas.