Horizontes da Educação: Escapar à “armadilha da pobreza”

Inês Rocha de Gouveia

Presidente da Fundação Santander Portugal

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Ao olharmos para os resultados de Portugal no PISA 2025, o maior estudo internacional de educação realizado pela OCDE, não podemos deixar de ficar preocupados. No entanto, para os entender, temos de ter em consideração a sociedade em que vivemos. Não se pode olhar para o presente com os binóculos do passado.

É verdade que os resultados dos 6.945 alunos de 225 escolas portuguesas regressaram a valores próximos dos observados em 2006 nas três disciplinas avaliadas – Matemática, Leitura e Ciências – revertendo completamente os ganhos anteriores.

Mas sabemos também que os alunos que estão agora a ser examinados fazem parte das famílias de hoje, com hábitos de leitura e de convívio muito diferentes do que acontecia há 20 anos. Os hábitos de leitura, de discussão à mesa, de tempos e de tipos de entretenimento em comunidade mudaram, tanto para os pais como para os filhos.

É, por isso, natural que as avaliações dos filhos em relatórios como o PISA sejam um reflexo destes novos tempos. É necessário que os analisemos em conjunto e respondamos pragmaticamente, incluindo ações para o futuro: a nossa energia deve ser canalisada para as medidas que têm de ser aplicadas de imediato, nas escolas e também para a população em geral.

Como já é do domínio público, a Fundação Santander Portugal tem como missão procurar ajudar a transformar a vida das pessoas e das empresas através da Educação e, como ambição, ser um agente de referência na mobilidade social e económica em Portugal. Este compromisso estratégico é reforçado e formalizado na Carta pelo Futuro da Educação.

Só investindo na educação é que conseguimos escapar à chamada “armadilha da pobreza”: um menor nível educativo traduz-se num menor acesso a cuidados de saúde e a um menor capital humano, resultando em menor produtividade e em salários mais baixos, o que culmina num ciclo vicioso que se perpetua pelas gerações

A educação é a base que nos permite, de forma segura, romper este ciclo: começamos pelas crianças e temos de chegar a todos.

A mobilidade social em Portugal não se resolve com mais diplomas. Resolve-se com a criação de uma cultura de curiosidade, aprendizagem e atualização permanente centrada no indivíduo, integrada desde cedo na família, na escola e no trabalho. Iniciativas como a Santander Open Academy, hoje uma das maiores academias abertas à sociedade portuguesa, com mais de mil cursos gratuitos e meio milhão de pessoas registadas, demonstram que este modelo é viável em escala.

Precisamos, por isso, de dar escala ao que funciona e de nos juntarmos para sermos protagonistas da mudança. Para que em família se façam planos, se imaginem futuros, para que em comunidade de amigos se partilhem ideias, que nas empresas se inove e que os professores sejam construtores motivados do futuro. Para melhorar na educação precisamos de investir hoje, com uma visão integrada e de longo prazo!

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