Breve reflexão sobre a crise da indústria automóvel europeia

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As recentes notícias de que o grupo Volkswagen e o grupo da Jaguar Land Rover tencionam despedir milhares de trabalhadores devido a uma crise ocasionada, sobretudo, pela forte concorrência dos fabricantes asiáticos na Europa merecerá atenta reflexão. De acordo com a imprensa o grupo automóvel Volkswagen anunciou a eliminação de cerca de 100 mil postos de trabalho até 2030, defendendo um compromisso de sustentabilidade a longo prazo, numa altura em que a indústria automóvel europeia está a viver grandes desafios, procurando elevar a margem de rentabilidade até 2030. Embora este grupo automóvel tenha estabelecido um objectivo de reforçar o investimento de capital em investigação e desenvolvimento entre 2027 e 2031, pretendendo aumentar o volume de vendas por modelo, com custos mais baixos, a decisão de despedir parece inevitável.

Recorde-se que a Alemanha sofreu, há cerca de 20 anos, uma crise social e um abrandamento do crescimento económico relacionado também com outra crise da indústria automóvel que ocorreu com o movimento de deslocalizações, respondendo então com o programa Hartz IV, que procurou chamar os desempregados de longa duração ao mercado de trabalho, pelo que será analogamente importante perceber a capacidade de reacção e de salvaguarda do mercado de trabalho ante esta nova crise.

Também no Reino Unido a Jaguar Land Rover anunciou recentemente a redução de 4 mil postos de trabalho nos próximos dois anos em todo o mundo no âmbito de um plano de reestruturação. Este grupo automóvel considera que esta é uma medida essencial do plano para reduzir custos e aumentar a competitividade, declarando ainda que vai investir nos próximos cinco anos em eletrificação e tecnologias digitais.

Perante a concorrência internacional, os desafios que a indústria automóvel europeia enfrenta são significativos, o que pode levar a uma crise socioeconómica, exigindo respostas ao nível das políticas públicas que permitam criar emprego, incrementando processos de inovação e assegurando um crescimento sustentável.

Ora, identicamente em Portugal é preciso que se antecipe uma eventual repercussão desta crise, assegurando o desenvolvimento de sectores empresariais estratégicos nomeadamente em energias renováveis, inovação organizacional e tecnológica e transição digital, revelando capacidade para reagir de forma sustentável aos desafios da competitividade, reforçando o segmento, por exemplo, das energias eólicas, solar, hídrica, energia das ondas ou centrais de biomassa.

Ou seja, cabe reforçar uma política nacional de autonomia energética associada às energias renováveis e ao aumento dos níveis de eficiência energética, à semelhança, aliás, do que acontece com as grandes potências mundiais, como os EUA e a China, que assim procuram modernizar a sua economia de forma sustentável e criar emprego. De salientar que, na China as energias renováveis representam já mais de 41% da produção de eletricidade produzida, sendo que a energia eólica e a solar correspondem a cerca de 25% deste total. E este país prossegue o seu propósito de pretender que as energias renováveis representem mais de metade da energia produzida no país até 2030. Também os EUA – que detêm o maior mercado elétrico do mundo – deverão duplicar a capacidade de energias renováveis até 2035, prosseguindo o seu plano de investimento estratégico de longo prazo na produção de energia mais sustentável.

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