As eleições intercalares americanas levam-me a reflectir sobre os próximos dois anos e sobre o futuro do país onde vivo há mais de três décadas. Escrevo a título pessoal, como cidadão português e empresário, com a experiência de quem construiu aqui uma parte substancial da sua vida e aqui vê crescer as suas filhas.
Sou conservador por convicção. Valorizo a família, o trabalho, a liberdade de iniciativa, a propriedade privada e a responsabilidade individual. É à luz destes princípios que acompanho a política americana, reconhecendo às instituições a sua legitimidade e apreciando as propostas pelo mérito e pelas consequências.
Antevejo uma relação mais exigente entre a Presidência e o Congresso. Acredito que os próximos anos dependerão da capacidade de estabelecer prioridades e alcançar entendimentos concretos. Desejo que o Presidente Donald Trump, a sua Administração e os representantes eleitos sejam bem-sucedidos no cumprimento das respectivas responsabilidades. Desse trabalho depende o bem-estar de milhões de famílias, entre elas muitas portuguesas.
Na minha perspectiva, o custo de vida continuará a pesar nas escolhas políticas. A Habitação, a Saúde e a Educação ocupam um lugar central nas preocupações familiares. Como empresário, espero condições que favoreçam o investimento e a criação de emprego, acompanhadas por uma gestão criteriosa dos recursos públicos.
Penso nos portugueses que abriram empresas, exerceram os seus ofícios e educaram os filhos neste país. A nossa comunidade reúne experiências e preferências políticas distintas; não pretendo falar em seu nome. Reconheço, porém, no percurso de tantas famílias, o valor do esforço, da poupança e da palavra dada. Gostaria que o debate público desse maior atenção às condições que permitem preservar esse património.
A segurança pública continuará a merecer o meu apoio. Pela proximidade que mantenho com as forças de segurança, conheço a dedicação de quem protege a comunidade. Desejo que disponham de formação, meios e apoio institucional, com a responsabilidade inerente ao exercício da autoridade.
Como cidadão português com residência permanente nos Estados Unidos, considero essencial uma política de imigração clara, ordenada e respeitadora da dignidade humana. Entendo que a soberania das fronteiras e o reconhecimento do contributo de quem cumpre a lei podem integrar uma orientação coerente e duradoura.
Até 2028, acredito que os cidadãos avaliarão, sobretudo, resultados: maior segurança económica, instituições credíveis e perspectivas para os filhos. Espero que ambos os partidos compreendam essa exigência e contribuam, nas suas funções, para a estabilidade do país.
A América que desejo para as minhas filhas é livre, segura e próspera, fiel à sua ordem constitucional. Como português, gostaria também de ver aprofundada a amizade entre os dois países e reconhecido o contributo da comunidade portuguesa. É com estas convicções, e com respeito pelas responsabilidades de quem governa, que olho para o futuro.