Sobre prevenção (VII)

Francisco George

Ex-diretor-geral da Saúde

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Até agora, passei em revista o conceito de prevenção primária, que incluiu tópicos sobre estilos de vida e proteção específica. Hoje, descrevo outras categorias preventivas, mas, igualmente, indispensáveis para a conservação da saúde de todas as pessoas. São, no conjunto, essenciais para elevar o bem-estar e a prosperidade.

Começo pela prevenção secundária, que é baseada na implementação de ações com o objetivo de diagnosticar doenças ainda no início, a fim de poderem ser tratadas sem demoras. Ou, dito de outra maneira: tudo fazer para possibilitar o diagnóstico precoce e o tratamento rápido (médico ou cirúrgico), logo no princípio, antes de surgirem manifestações ou complicações.

Exemplifico.

O famoso “teste do pezinho”, realizado aos recém-nascidos entre o terceiro e sexto dia após o parto, visa diagnosticar doenças metabólicas existentes, que podem ser graves se não forem identificadas e tratadas imediatamente.

Nas idades adultas, os rastreios de base populacional destinam-se à deteção de diversas doenças crónicas, nas respetivas fases iniciais: osteoporose, cancros (da pele, do colo do útero, da mama, da próstata, do cólon e do reto), diabetes e suas complicações vasculares.

Em oncologia, a importância preventiva destas iniciativas fundamenta-se na constatação de que o processo de multiplicação desordenada de células cancerígenas é lento. Ou seja, o cancro não surge subitamente, de forma aguda.

Já a prevenção terciária visa eliminar a ocorrência de eventuais complicações a seguir ao tratamento de doenças e evitar a agudização de problemas anteriormente existentes (doenças crónicas). Isto é, está associada à reabilitação e à reinserção na perspetiva individual, familiar, laboral ou comunitária. Pretende reduzir a incapacidade por doença.

Para tal, implica a adoção de medidas de adaptação para prevenir o agravamento de situações patológicas diagnosticadas antecipadamente.

Neste âmbito, as recomendações ditadas pelos médicos de trabalho (saúde ocupacional) são acertadas na ótica preventiva e da redução de riscos. Um trabalhador que tenha tido, por exemplo, um acidente de trabalho ou sofrido um enfarte do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca ou respiratória pode necessitar de mudar de posto na mesma empresa onde está empregado. Mudança que pode assumir um caráter definitivo, em função das condições de cada caso, e que pode exigir formação complementar.

Em conclusão, à exceção dos tratamentos instituídos aos doentes sem precocidade, podemos admitir que todas as prestações de cuidados de saúde são preventivas, uma vez que englobam os tês níveis de prevenção: primária, secundária e terciária.

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