Sobre prevenção (V)

Francisco George

Ex-diretor-geral da Saúde

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Retomo o tema da prevenção primária, no contexto da proteção específica, mas, agora, referente à vacinação que é destinada a evitar infeções provocadas por determinados agentes patogénicos (sobretudo vírus e bactérias).

Desde há muito, a vacinação é reconhecida como indispensável para prevenir infeções pela imunização que induz ao despertar a produção específica de anticorpos protetores pelo sistema imunitário.

Já aqui mencionei o sucesso da eliminação da varíola em todo o planeta. Em 1980, foi a primeira doença oficialmente declarada como erradicada no seguimento de uma criteriosa campanha conduzida pela Organização Mundial da Saúde. No mesmo sentido, os especialistas em saúde pública estimam que, igualmente, poderão desaparecer da superfície da Terra: a poliomielite aguda (conhecida como paralisia infantil) e o sarampo.

Para tal, é necessário que os programas de vacinação sejam cumpridos por cada uma e por todas as pessoas. A este propósito sublinho que a vacinação protege não só quem se vacina, mas também toda a população, atendendo à imunidade de grupo que é conseguida. Ou, dito de outra maneira: a presença de anticorpos em todas as pessoas irá impedir a circulação daqueles vírus, uma vez que os respetivos reservatórios são constituídos exclusivamente por seres humanos que, assim, deixam de ser infetados (tal como sucedeu com a varíola). Não havendo transmissão dos vírus entre pessoas a doença e os respetivos agentes acabam por desaparecer. Lógico.

Ainda por cima, a vacinação para alguns agentes microbianos é eficaz para prevenir doenças oncológicas como o cancro do fígado (através da vacina contra a hepatite B) e os cancros originados por infeções devidas ao vírus do papiloma humano (associadas à transmissão por via sexual).

A antiga ideia de as vacinas estarem limitadas ao calendário infantil deu lugar ao atual conceito que exalta a oportunidade da prevenção de doenças ao longo de todas as etapas do ciclo de vida, incluindo na fase do envelhecimento.

Preciso.

A imunização para evitar doenças começa antes do nascimento, durante a gravidez, com o objetivo de anticorpos maternos protegerem o recém-nascido (através da placenta). Mas, a seguir ao parto, ainda na maternidade, inicia-se um vasto programa preventivo que visa evitar múltiplas infeções pela vacinação de crianças, jovens, adultos e de idosos (mesmo depois dos 85 anos).

São imensos os progressos científicos e tecnológicos que, recentemente, foram alcançados na preparação de vacinas inovadoras que proporcionam elevados níveis de eficácia e segurança na prevenção de mais doenças infeciosas e oncológicas.

(Continua)

franciscogeorge@icloud.com

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