No âmbito da prevenção primária retomo hoje o conceito da proteção específica que é alcançada através de medicamentos (habitualmente designada como quimioprofilaxia). Ou, dito de outra forma: perante determinadas circunstâncias concretas as pessoas podem ser protegidas especificamente quer de infeções originadas por certos agentes patogénicos quer de riscos de natureza diferente, incluindo durante a gestação.Ilustro em três tópicos.1. Na primeira situação (agentes microbianos), é do conhecimento geral que antes de se viajar para um país tropical (nomeadamente em África), mesmo por curtas estadias, é preciso prevenir doenças endémicas como o paludismo (ou malária) pela administração regular de antipalúdicos, mas apenas por prescrição médica. Para tal, é preferível marcar uma “consulta do viajante” ou, em alternativa, procurar aconselhamento junto do médico de família.Como sublinhei anteriormente, o paludismo é provocado por um protozoário (plasmódio) transmitido pela picada de mosquito que pode assumir manifestações graves (em particular o paludismo cerebral), motivo pelo qual a quimioprofilaxia é indispensável.2. No contexto dos cuidados pré-natais, logo no início da gravidez, as normas da Direção-Geral da Saúde indicam esquemas quimioprofiláticos que devem ser cumpridos: ácido fólico para prevenir anomalias congénitas do tubo neural (como a espinha bífida) e suplementos de iodo para prevenção de problemas neurológicos (defeitos do desenvolvimento do sistema nervoso central).Este último pode ser tomado em comprimidos de 200 microgramas de iodo ou pela utilização de sal iodado na alimentação em substituição do sal de cozinha (cloreto de sódio).3. Na presença de uma explosão ocorrida em central nuclear destinada, por exemplo, ao fornecimento de energia elétrica de uma cidade europeia, alguns perigos da exposição aos riscos radioativos podem ser evitados. Ora, na hipótese de acontecer um desastre desse tipo, os habitantes residentes no raio de 30 quilómetros em redor da central podem ser protegidos por medicamentos de iodo que visam, especificamente, prevenir o cancro da tiroide. O iodo estável assim administrado satura as células da glândula tiroide, impedindo a absorção do iodo radioativo libertado pela explosão (o radioisótopo Iodo-131).Este procedimento preventivo deve ser atendido exclusivamente no seguimento de deliberação conjunta das autoridades radiológicas e de saúde pública da região em causa.Realço que os comprimidos de iodo não devem ser tomados em regime de automedicação, mas apenas depois dos avisos oficiais expressamente emitidos a seguir à explosão. (Continua) franciscogeorge@icloud.com