Terminados os episódios alusivos aos níveis de prevenção, registo, hoje, a importância da preparação de respostas a ameaças originadas por agentes patogénicos quer impostas pela natureza, quer lançadas deliberadamente para atingir populações com fins terroristas. A este propósito sintetizo apontamentos sobre bioterrorismo.No Ocidente, as preocupações reacenderam-se em 2001, depois dos atentados do 11 de Setembro às Torres Gémeas. O mundo foi surpreendido pela imprevisível dimensão devastadora dos ataques perpetrados com objetivos de terror.Poucos dias depois, inesperadamente, apareceram as ameaças biológicas com a utilização dos esporos de anthrax enviados aos destinatários em envelopes pelo correio. Na sequência da difusão pelos órgãos de comunicação social das primeiras notícias sobre o anthrax gerou-se uma impressionante onda gigantesca de pânico universal. Foi, a “epidemia do pó branco”, vivida em Portugal também intensamente, como um fenómeno extraordinário de emoção generalizada provocada pelo pavor motivado pela constatação da facilidade da transmissão do carbúnculo (Bacillus anthracis) por via postal.Nesse âmbito, a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Ricardo Jorge procederam à rápida organização de respostas que implicou a análise laboratorial de milhares de amostras de pó “suspeito”. Repentinamente, eram muitas as pessoas que “viam” pó suspeito em todo o lado. Um desassossego.Eis senão quando, surgiram rumores sobre o hipotético uso do vírus da varíola igualmente para fins terroristas. Como já aqui sublinhei, a varíola tinha sido erradicada em 1980 e, desde logo, os vírus foram armazenados em dois laboratórios de alta segurança: um nos Estados Unidos da América (Atlanta) e outro na ex-URSS (Novosibirsk).Apesar de ter sido uma hipótese meramente teórica, os serviços de informação de diversos países impulsionaram as respetivas autoridades de saúde pública a formularem planos de contingência para o eventual ataque terrorista através da dispersão intencional do vírus da varíola.Testemunhei e participei nesses trabalhos, bem como nos exercícios de organização das respostas a uma emergência desse tipo. Em Portugal, como o último caso de varíola tinha sido diagnosticado em 1952, a vacinação sistemática foi interrompida em 1977. Assim sendo, as pessoas nascidas depois desse ano não tinham sido vacinadas. Ou, dito de outra maneira: os jovens com menos de 30 anos não estavam protegidos e representavam o grupo mais vulnerável.Na altura, viveram-se tempos críticos que demonstraram o prestígio dos serviços de Saúde Pública. PS - Voltarei aqui na primeira quarta-feira de setembro.. franciscogeorge@icloud.com