Passadeiras, sinais vermelhos, faixas de bus, placas indicativas de entradas prioritárias ou somente para animais, sinais de acesso proibido. Sinaléticas que identifica casas de banho ou balneários femininos ou masculinos, sentidos proibidos e sentidos obrigatórios. Sinais de ‘fechado’ para revelar que um estabelecimento está encerrado ou uma porta aberta para dizer que se pode entrar e a proibição de usar telemóveis enquanto se conduz. Parece simples e básico o que estou a dizer, verdade? No entanto, o que é que sabemos? Que 57% dos atropelamentos, em Portugal, ocorrem fora das passadeiras. Ou que perto de 32% dos acidentes em auto-estrada acontecem porque os condutores estão a utilizar o telemóvel. Isto para usar apenas dois exemplos de duas regras tão simples cujo incumprimento leva a consequências significativas.As regras existem, nas sociedades, para tornar a vida de todos nós mais fácil. Existem passadeiras por segurança dos peões; existem faixas exclusivas de autocarros porque isso ajuda os transportes públicos a serem mais eficientes; existem cores nos ecopontos para que a reciclagem seja feita mais facilmente; existem filas nos supermercados para que todos saiamos de lá mais rápidos. Se todos nós cumprirmos as regras, a sociedade funciona de forma mais fluida: há menos acidentes, menos trânsito, zangamo-nos menos no supermercado, chegamos a horas se formos de autocarro…consegue entender a ideia? As regras são aborrecidas? Às vezes. E nem sempre são justas. Mas elas não foram feitas para nos chatear, embora às vezes pareça que sim. Foram desenhadas – bem ou mal – para que o mundo seja, também, mais justo. Daí que não consiga deixar de me espantar com aquilo a que assisto diariamente, que é a um claro aumento de desrespeito pelas regras e pelos mais básicos princípios da boa convivência e educação numa sociedade que se diz evoluída. Mas repare-se: quando estamos a desrespeitar as regras, não estamos a desrespeitar essa entidade superior e abstrata – ‘regras’. Estamos a desrespeitar todos aqueles à nossa volta. Quando passa um sinal vermelho, está a desrespeitar os outros condutores e os peões, que se regem pelas mesmas regras e agem em conformidade; quando fura uma fila no supermercado, está a desrespeitar os outros clientes que estavam lá antes de si; quando deixa um carro estacionado em segunda fila, pode estar a impedir que alguém receba ajuda urgente se por aquele lugar precisar de passar uma ambulância; quando usa o telemóvel enquanto conduz, está a aumentar em 4 vezes a possibilidade de ter um acidente que pode magoá-lo a si e a outros – está a desrespeitar a sua vida. Todas as escolhas que faz têm consequências concretas e, muitas vezes, muito sérias não apenas para si mas para quem vive à sua volta. Fazemos, no mundo ocidental, publicações (e às vezes notícia!), porque o público japonês, quando participa num evento, leva consigo o lixo – a regra, que geralmente está em todos os lugares, diz para as pessoas levarem consigo tudo o que trouxeram. O facto de nós ignorarmos as regras e aplaudirmos outros povos (como os do norte da Europa) porque as cumprem, mostra bem o nível de dissociação cognitiva que andamos a viver. Ao invés de nos espantarmos porque alguém cumpre as regras, talvez devêssemos todos tentar fazer o mesmo todos os dias. Desconfio de que nos iríamos espantar com o resultado..Se conduzir, não beba!.Os desastres estão sempre à espreita?