Reformas estruturais

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“Não perguntes o que

a tua pátria pode fazer por ti

Pergunta o que tu

podes fazer por ela”

Por estranho que possa parecer há coincidências práticas, que não políticas, entre António José Seguro e Pedro Passos Coelho. António José Seguro e Pedro Passos Coelho após um período de atividade política nos respetivos partidos, foram ambos à sua vida privada, com escolhas profissionais na área do Ensino e empresarial. Depois, ficaram os dois em silêncio.

Seguro regressou à vida política ativa e, com coragem, candidatou-se a Presidente da República. Ganhou as eleições.

Pedro Passos Coelho esteve/está no Ensino e após um longo período de silêncio político ensaia agora uma nova caminhada no seu percurso existencial. Tem todo o direito a fazê-lo se entende que o país não está no rumo certo e o Governo não está a ter sucesso e a pró-atividade que se esperava dele. Pedro Passos Coelho é um reformista. Pensa o país a uma distância de décadas e entende que “assim não vamos lá”....

Não “ir lá” é não transportar o país para uma realidade moderna, mais desenvolvido, socialmente mais equilibrado.

Isso só se consegue mudando o que tem de ser mudado. Luís Montenegro começou bem, mas agora....parece ter encalhado nessa dura realidade que é navegar este enorme paquete transatlântico que é Portugal.

Estranho ouvir de comentadores e personalidades que não sabem o que é isso de reformas estruturais. Pois, são simples mudanças, umas mais complicadas do que outras.

A propósito de mudanças e questões de segurança permitam-me que vos conte um episódio que me aconteceu. Há dias quis voltar à Mouraria à celebre tasca do Zé das Iscas (passe a publicidade) especializada nas ditas cujas. Tentei fazer a reserva e o número estava desativado. Estranhei! Como sabia que o proprietário tem um segundo Zé das Iscas na Rua Gomes Freire reservei e fui lá. Perguntei a uma das empregadas o que tinha acontecido à unidade da Mouraria. Foi-me dito que tinha falido porque os portugueses e turistas deixaram de a frequentar, dada a insegurança que se verifica naquela zona. E lá se foi o Zé das Iscas da Mouraria. Isto, caros leitores, não é perceção de insegurança. A falência do restaurante é uma consequência económica resultante da própria insegurança de uma zona encharcada em droga e onde há dias houve um tiroteio em plena luz do dia.

Confesso que não entendo o que fazem os polícias fechados nas esquadras! Porque não existem patrulhamentos nas cidades? Neste caso em Lisboa. Têm tarefas burocráticas? Avisos de multas e dos tribunais? Mas não é possível contratar escriturários para essas tarefas e libertar os polícias para o que deve ser a sua função? Patrulhamento, giro nas cidades, vigilância, prevenção. Caramba, o utensílio de trabalho de um polícia é uma arma e um cassetete, e não uma esferográfica Bic...

Aqui está uma mudança que deveria verificar-se na polícia e é uma simples medida estrutural.

Depois, claro, temos coisas mais complicadas. Como será no futuro a Segurança Social dos nossos filhos e netos? Como serão as reformas daqui a 30 anos? Se nada for feito serão diminutas. Hoje temos 1,7 cidadãos ativos para cada reformado. Daqui a 30 anos teremos um ativo para cada reformado. Isto com a população a diminuir e os idosos a aumentarem... Portanto mexer agora na Segurança Social é uma medida estrutural que salvaguarda as gerações futuras. Para isso é preciso determinação política.

Não quero com isto dizer que o Governo não tenha já ensaiado mudanças em algumas áreas do todo nacional. Estão projetadas novas PPP na Saúde. Os impostos baixaram, mas o valor atual do IRC das empresas, nos 19%, não é competitivo como o irlandês que é de 15% para a maioria das empresas.

Como explicar o silêncio da ministra da Justiça faça ao descalabro que é o tempo que um processo demora a ser resolvido. E o que anda o ministro da Modernização Administrativa a fazer para simplificar uma máquina burocrática que emperra tudo o que são iniciativas sejam elas empresariais, de gestão ou cidadania. Áreas que precisam ser reformadas.

Assim sendo, o que está ser feito não chega para obter valores de crescimento que assegurem o futuro das próximas gerações. São precisas medidas estruturais e nesse aspecto Pedro Passo Coelho tem razão. E a vontade de mudança tem de ser de todos os portugueses.

“Não perguntes o que o tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que podes tu fazer por ela”. Uma frase célebre de John Fitzgerald Kennedy que o país deve assumir e estou certo que António José Seguro e Pedro Passos Coelho subscrevem na íntegra.

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