A inflação em Portugal já ultrapassou os 3%; o preço dos combustíveis anda num sobe e desce que já não se consegue acompanhar; as rendas das casas estão a atingir valores demasiado elevados para muitas pessoas, além de não haver no mercado habitação disponível; uma parte das urgências dos hospitais continua a ter longas horas de espera. Já na Educação os problemas com a colocação de professores vão-se mantendo, apesar da acalmia que se tem notado. Mas, do que se tem falado na última semana? Da saída abrupta de Cristiano Ronaldo do estágio da seleção nacional durante o período em que a equipa disputou quatro jogos - e ganhou três sem ele no relvado e, desses dois, sem o, até agora, capitão no estágio.
Têm sido horas de discussão nos canais noticiosos com posições a favor e contra a atitude daquele que é considerado, de forma, diria, unânime, um dos maiores futebolistas de sempre a nível mundial.
Para quem está distante destas discussões é difícil de entender como uma decisão, na minha opinião, extemporânea e aparentando uma atitude, ao que parece, despropositada, merece destaque durante tanto tempo. Até admito que durante um dia, ou dias, fosse tema, mas depois de Portugal ganhar os jogos desta fase da Liga das Nações, de se ter qualificado para os quartos de final, quando ainda faltam duas jornadas, não se valorizar estes resultados e ainda se falar da atitude, volto a lembrar, do então capitão da seleção, não parece normal.
Aliás, como é surpreendente também o primeiro-ministro ter, segundo foi noticiado, telefonado ao atleta e ao selecionador Jorge Jesus para falar do assunto. Será que os temas com que iniciei a crónica não merecem mais atenção de quem governa o país? Ou o “caso Ronaldo” já é mais um assunto de ativos económicos e de marca global do que futebolístico?
Em comunicado Ronaldo divulgou um guião de oito pontos em que Jorge Jesus assumia que tinha errado ao não pôr a jogar “alguém da dimensão de Pelé e Maradona”, entre outras palavras de assunção de culpas por parte do selecionador, que já disse não pedir desculpas a ninguém. Por isso não sei como o assunto vai terminar, mas, para já, Ronaldo diz estar disponível para voltar, se estiver bem fisicamente, e depois de cumprir da suspensão que lhe for aplicada. Já Jorge Jesus não parece treinador de recuar nas suas ideias.
Para já tenho duas certezas: Ronaldo trabalhou com seis selecionadores (Scolari, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos, Roberto Martínez e agora Jorge Jesus) incompatibilizou-se com quatro. E a seleção que era a única equipa que praticamente unia todos os adeptos de futebol do país está agora dividida entre os “apoiantes de Ronaldo” e os “apoiantes de Jorge Jesus”.
Vamos esperar pelas cenas dos próximos capítulos.