Pró-Morte a tentar atingir Pró-Vida?

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O atentado ocorrido no passado sábado, durante uma manifestação Pró-Vida, constitui um sinal preocupante do estado a que chegou o debate público em Portugal. Independentemente das convicções ideológicas em presença, a violência nunca pode ser tolerada como instrumento de intervenção política. Quando cidadãos se reúnem de forma pacífica para expressar uma posição, cabe ao Estado garantir a sua segurança sem ambiguidades.

As declarações do Ministro da Administração Interna procuraram transmitir serenidade, sublinhando que as autoridades estão a investigar o sucedido e que não haverá complacência com actos desta natureza. Ainda assim, ficou a sensação de alguma hesitação na condenação política clara e inequívoca do ataque, como se o contexto ideológico dos visados pudesse relativizar a gravidade dos factos.

Não pode. E o agressor sair em liberdade é motivo, também, de perplexidade.

Também as reacções partidárias revelaram um padrão já conhecido: condenações firmes de um lado, silêncio embaraçado ou declarações excessivamente cautelosas do outro. Esta assimetria fragiliza o espaço democrático. A violência política deve ser repudiada com igual veemência, sem depender, para isso, de quem são as vítimas ou quais são as causas em debate.

Este episódio levanta questões essenciais sobre a autoridade do Estado, a neutralidade das instituições e a crescente intolerância no espaço público. Não se trata apenas de um caso isolado, mas de um sintoma de um ambiente onde o pluralismo é cada vez mais difícil de exercer sem receio.

Portugal construiu, ao longo de décadas, uma democracia assente na liberdade de expressão e na convivência entre diferenças. Permitir que essa base se desgaste, seja por acção ou omissão, é abrir caminho a uma radicalização que não serve ninguém. O combate à violência política exige firmeza, coerência e, sobretudo, coragem política para afirmar princípios, mesmo quando são incómodos aos olhos de alguns.

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