Há 52 anos, Portugal escolheu a liberdade. Depois de quase meio século de ditadura, tínhamos um país inteiro a descobrir o que era decidir o seu próprio destino. Essa conquista não tem donos. Nunca teve. É de todos os portugueses. Mas há quem discorde. Há quem ache que o 25 de Abril pertence a uma interpretação específica da história, a um conjunto de ideias que não podem ser questionadas, a uma família política que se autodesignou guardiã da democracia. A data, dizem eles, é deles. A rua é deles. A democracia é deles.A ditadura também achava que Portugal tinha donos. Proibia ideias, partidos, livros, pessoas. O 25 de Abril acabou com isso. E quando, um ano e meio depois, havia quem quisesse substituir uma ditadura por outra, foi o 25 de Novembro que confirmou que a liberdade não era negociável. São duas datas do mesmo projeto. Os autodesignados guardiães da democracia preferem ignorar a segunda.A Constituição também não tem donos. Mas há quem a use como escudo contra o futuro. Como se a lei fundamental fosse um arquivo intocável e não um documento ao serviço das pessoas vivas de hoje.O Estado também não é dono do dinheiro público. São os cidadãos. Mas o Estado Português age como se fosse seu. Cresceu independentemente dos resultados e acumula funções que não consegue cumprir. Quando falha, não é o Estado que paga, são os cidadãos. Empresas públicas que sobrevivem à má gestão porque há sempre dinheiro do contribuinte para tapar os buracos. Reguladores que terminam as carreiras do lado de quem deviam fiscalizar. Enquanto isso, serviços públicos degradados e que não funcionam. Este modelo esgotou-se. Precisa ser substituído por um modelo que sirva as pessoas, não os interesses instalados.O futuro também não tem donos. Os portugueses sabem o que é pagar impostos que massacram quem trabalha e quem cria valor, navegar uma burocracia que transforma tarefas simples em processos intermináveis, esforçar-se para construir um futuro melhor com o Estado sempre no caminho. Continuam a tentar, a construir, a insistir. Merecem um país que esteja à altura dessa resiliência. O 25 de Abril prometeu um Portugal diferente. Um país de cidadãos livres, capazes de decidir as suas próprias vidas. Um país capaz de se transformar e de avançar. Essa promessa ainda não foi cumprida. Não porque a liberdade tenha falhado, mas porque há quem prefira um Portugal parado a um Portugal que muda e lhes escapa das mãos.Portugal não tem donos. Nem a sua Constituição, nem as suas ruas, nem as suas datas históricas, nem a sua democracia. Por isso a Iniciativa Liberal voltará a descer a Avenida da Liberdade no dia 25 de Abril. A liberdade conquistada em abril não foi um ponto de chegada, foi um ponto de partida. Cinquenta e dois anos depois, continuamos a lutar por um futuro à altura do que os portugueses imaginaram que podiam ter.