Portugal 2043

Luís Parreirão

Advogado e gestor

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Nasci e fui educado a pensar como sendo cidadão de uma velha nação europeia com mais de oito séculos de história.

Compreende-se.

A memória colectiva ainda retinha os efeitos da Exposição do Mundo Português de 1940, e tinham passado apenas 16 anos sobre o 8.º Centenário de Portugal.

O tempo foi passando, à ditadura sucedeu meio século de democracia, ao imaginário de distantes e exóticas paragens sucedeu a proximidade europeia, primeiro como servos, depois, como iguais, do analfabetismo e da pobreza generalizada passámos à “geração mais bem preparada de sempre” e a uma das economias mais desenvolvidas do mundo.

Feito este percurso, estamos, agora, a apenas 17 anos de ver Portugal completar nove séculos de História.

Dos oito séculos de História que antecipavam o fim do império, estamos no dealbar do início do nono século e à procura de uma visão global e mobilizadora para o futuro de Portugal.

Podemos, é certo, continuar a flutuar na espuma dos dias. Distraídos com as intrigas vãs da corte, das cortes, que, quotidianamente, nos entram em casa, bem como com o imediatismo que tudo atropela.

Mas, uma nação que tem, agora, quase nove séculos exige mais de nós.

Portugal 2043 não é uma marca, não é um slogan, não é um produto de marketing.

Sei que o poderia ser! Sei, também, que o não deve, nem pode ser!

Portugal 2043 é uma ambição, uma ideia, um desafio e um desígnio.

Temos, TODOS, a obrigação de participar na construção deste desígnio, desígnio adequado a uma nação de nove séculos.

E não podemos procrastinar.

Portugal com nove séculos, Portugal a caminho do milénio, é já amanhã.

Podemos entender que 2043 será um bom momento para um exercício de histórica evocação. Ou podemos, sem olvidar o que fizemos, pensar essencialmente no que ambicionamos ser, no que queremos ser.

Sem veleidades de enunciar TODOS os nossos desafios, sempre direi que, mais do que o imediato e o óbvio, merecerá a pena pensar que 17 anos é um bom horizonte para responder a um desafio desta envergadura.

Exige desprendimento e generosidade, porque genericamente ninguém estará a trabalhar para si próprio.

Os desafios são imensos.

Antes de mais, que população vamos ser e ter. Inverter a tendência de rarefacção demográfica é condição da nossa sobrevivência.

E que modelo económico e social ambicionamos. Temos de dar dimensão, tecnologia e investigação ao investimento e, assim, termos trabalhadores qualificados, bem pagos e realizados na sua Pátria.

Teremos de, de uma vez, encontrar o nosso posicionamento de acordo com a nossa idiossincrasia. A Europa, certamente a nossa matriz; o oceano com a incomensurável dimensão da nossa relação com o mundo; a comunidade da língua portuguesa, o nosso universo diferenciador.

A par da Educação para a excelência o futuro exigir-nos-á, cada vez mais, clareza na afirmação, defesa e divulgação da Língua Portuguesa. Esta será um dos principais activos do e para o futuro.

A capacidade de conjugar territórios com população e ambos com as diversas soberanias, será um desafio que se constituirá em verdadeiro alicerce do Portugal futuro.

Um Portugal com autonomia estratégica e com uma clara posição entre os mais desenvolvidos e avançados do mundo tem de ser o desafio que temos de vencer. E temos 17 anos para o ganhar a tempo de entrar determinados no “nosso”, novo século.

Senhor Presidente da República

Quando completarmos nove séculos como nação, outro português presidirá a Portugal.

O desafio, generoso e republicano, é preparar, com antecipação que a Pátria merece, esse momento maior que todos nós ambicionamos viver.

Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico

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