É bastante assumido que Portugal precisa de relançar um Ciclo de Planeamento Estratégico. Sem fazer considerações sobre a genuinidade do ciclo que foi percorrido em 2013, é manifesto que o contexto político e estratégico do presente é muitíssimo diferente do que então existia.Essa necessidade torna presente que em Portugal persiste uma visão anómala sobre Segurança interna e Segurança externa, não as tratando como realmente são, como duas faces de uma mesma moeda muito dificilmente separáveis. Do que resulta, por via da Constituição de 1976, um entendimento bastante singular e redutor sobre o papel das Forças Armadas na Segurança Nacional.O mesmo entendimento previne a elaboração de um Conceito Estratégico de Segurança Nacional ou, simplesmente, de um Conceito Nacional, como amplamente se justifica. As sucessivas versões do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, sempre prestaram obrigatória atenção às dinâmicas e normativos da NATO e da UE. Em boa verdade, sobretudo da NATO. Mas é evidente que essa relação deve agora ser invertida, dando ênfase principal à UE e, face às sérias dúvidas que se colocam relativamente à Aliança Atlântica, assumindo que para os 23 países que integram ambas as organizações, ser hoje um bom e sério parceiro na UE, corresponde a ser também um bom aliado na NATO. Adequado será que, pela primeira vez e dando materialidade ao conceito de Defesa Nacional como um conjunto de ações militares e não-militares, não seja apenas na estrutura militar que se desenvolve um Conceito Estratégico setorial. Isto é, será desejável que em todos os outros Departamentos pertinentes e com base nas orientações gerais que o Conceito Estratégico de Defesa Nacional consagre, sejam identicamente desenvolvidos conceitos estratégicos próprios. Isso muito ajudaria a respetiva ação departamental, a estruturação de uma Política de Defesa Nacional verdadeiramente abrangente e aproximaria Portugal da visão de Defesa Total, que tantos países europeus têm recentemente desenvolvido. No domínio militar, de longe o mais afinado nesta matéria, haverá naturalmente que atender às novas circunstâncias de contexto e não perder de vista que o Sistema de Forças Nacional é uno e que à luz dessa unidade que devem ser ponderadas as opções de reequipamento.