Com os primeiros dias de calor a sério, aparecem os primeiros convites para uma ida à praia. É também o mês dos Santos Populares, aumenta o apelo para uma boa noite com amigos ou um passeio em família. A escola caminha para o fim, o ambiente torna-se mais desprendido, menos tenso e exigente. No entanto, para milhares de jovens alunos a realidade por estes dias é precisamente a inversa. É altura de 'enfiar' ainda mais a cabeça no livros, trocar a socialização pelo prolongamento das horas de estudo noite fora, muitas vezes de forma pouco produtiva e nada saudável. Isto porque já arrancou a 1.ª fase dos exames nacionais, que têm um forte peso na composição da média final do secundário e no acesso ao Ensino Superior, tendo este ano mobilizado mais de 160 mil alunos – ontem realizou-se a prova mais concorrida, a de Português do 12.º ano, que é também a única de caráter obrigatório para se concluir o secundário.Estes são também dias marcados por muito nervosismo. À ansiedade individual do aluno junta-se a dos pares, alimentando esse sentimento, tornando-o coletivo, até porque em muitos casos acaba transposto para as próprias famílias. Em algumas casas, os papéis até parecem invertidos, quando são os pais a pedir aos filhos para estudarem menos a bem da sua saúde mental. Entre os muitos conselhos que se possam dar, há um essencial e que não encontra eco na maioria das salas de aula: a importância de se ter um plano B.A velha máxima de que não se devem colocar todos os ovos num só cesto aplica-se, principalmente, ao falar em poupanças e investimentos, mas também serve perfeitamente como mantra para o jovem que pretende concorrer ao Ensino Superior (objetivo assumido por 56% dos alunos que se inscreveram este ano nos exames nacionais). Crescer tendo apenas um curso em mente, sobretudo aqueles em que a média de acesso é mais elevada, é um risco. Mesmo que o trajeto no secundário seja positivo e em linha com a meta do aluno, a verdade é que, de um momento para o outro, um mau exame pode comprometer a média final e, como se sabe, uma vaga no curso desejado depende muitas vezes de pequenas décimas. Em caso de insucesso, sem plano B o que resta é o vazio, no qual a ansiedade se transforma num misto entre desilusão e desmotivação, que se pode traduzir depois numa escolha apressada e sem pensamento crítico de uma qualquer outra opção de percurso académico.Esse é um problema que se deve evitar a todo o custo, a começar no próprio agregado familiar. De forma pedagógica e sustentada por dados objetivos que ajudem o estudante a alargar horizontes. Por exemplo, chamando a atenção para algumas das conclusões do último Balanço Anual da Educação 2026, desenvolvido pelo EDULOG, o think tank para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, que coloca os jovens portugueses entre os mais qualificados da Europa, registando também o dinamismo em estágios mais avançados da formação académica, graças ao aumento de proporção de mestrados. A lista de opções é extensa. E não se restringir a apenas uma será meio caminho andado para evitar uma desilusão. Neste caso, ter um plano B é, na verdade, o plano A que todos deviam seguir.