Início do período estival, tempo de partilhar algumas das leituras que me seduziram. Do inigualável Fernando Pessoa, o género policial passou quase despercebido, até que Quaresma, Decifrador (Assírio & Alvim), uma edição crítica de Ana Maria Freitas (de 2008), nos abre o horizonte para um admirável mundo novo.A Morte Dela Fica-me Tão Bem (Quetzal, 2023), um romance sobre amor, crime, paixão e adultério, no contexto da classe média-alta lisboeta. Numa quase-estreia, bem auspiciosa e plena de tensão, do professor universitário e médico neurologista, Miguel Viana Baptista.Muito se tem escrito sobre a Inteligência Artificial (IA). Uma das obras mais relevantes que li foi I Am Not a Robot: My year using AI to do (almost) everything (Harper), de Joanna Stern, uma jornalista premiada com um Emmy e com uma longa carreira dedicada às novas tecnologias no New York Times. Um livro que trata a IA não como um monstro exterminador, ou como a salvação rumo a um mundo de lazer, como agora parece ser o padrão do que se escreve sobre este tema.Joanna Stern deixou que os seus chatbots a acompanhassem ao longo de 365 dias em tudo o que era a sua atividade. Planear férias ou receitas de refeições, corrigir textos, fazer a análise da sua mamografia, ou fazer de namorado virtual, de tudo um pouco fez Joanna Stern. Um relato hilariante, cheio de clarividência e de pés bem assentes na terra. Chegando a agosto, não posso deixar de me recordar de que o que o Benfica precisa, mesmo, é de um novo presidente. Não é de um defesa-esquerdo.Nada tenho contra Marco Silva (ou José Mourinho, ou Bruno Lage…), nem quero desvalorizar a qualidade da Direção do Clube, da administração da Benfica SAD ou dos quadros e técnicos do Grupo SLB. Interessante, o estudo apresentado no Instituto Adelino Amaro da Costa sob o patrocínio da CIP.Nada disto é neutro, diga-se. Nem isento de uma agenda. Mas curiosamente, o trabalho de Nuno Palma (esclarecido economista estrangeirado) e James A. Robinson, um britânico Prémio Nobel da Economia, é deveras interessante. A todos recomendo vivamente a leitura.Neste trabalho, a ênfase é colocada em tornar o Estado burocrático mais eficiente, através de uma medida simples de enunciar: sentenças de tribunais, todas no espaço máximo de 90 dias! Interessante e provocador!Entre outros apontamentos, na parte sindical gosto da afirmação de que os contratos coletivos deveriam apenas aplicar-se aos sindicalizados (eliminando as Portarias de Extensão e também as práticas patronais de extensão, a todos os trabalhadores, de Acordos Coletivos feitos com sindicatos quase inexistentes).Os participantes na negociação coletiva e na “Concertação Social” deveriam ter indicadores quantitativos transparentes de representatividade e de publicação de representatividade. Seria o toque de finados de uma certa putativa central sindical e de um par de associações empresariais, uns e outros meros representantes do 26 de Novembro de 1975.Um admirável mundo novo, ao nosso alcance, eis a proposta de Nuno Palma e James A. Robinson.