Numa infância em que toda e qualquer competição desportiva era consumida com a mesma voracidade com que atacava um pacote de galletas rellenas, a Volta a Portugal sempre foi uma das minhas “guloseimas” preferidas do verão.Naquela altura, anos 1980, ainda a “prova-rainha do ciclismo nacional” – expressão que ainda hoje ecoa nas minhas memórias com a pomposa sonoridade radiofónica daquela época – se prolongava por três semanas e ia do Minho ao Algarve, com milhares de pessoas nas bermas da estrada a aplaudir e refrescar os ciclistas.Entre as memórias desses tempos sobressaem as proezas de Marco Chagas, o dominador dessa década que bateu, então, o recorde de vitórias na prova, com quatro. Mas também permanecem gravadas as memórias visuais da passagem do pelotão pela porta de casa: a ansiedade da espera, a luta quase ombro a ombro pelo lugar de melhor visibilidade, o reboliço daqueles dois ou três minutos que demoravam ciclistas e carros de apoio a passar por ali, o sofrimento no rosto do ciclista em fuga ou o sangue a escorrer pelo rosto de um outro cujo sonho caiu de forma aparatosa na armadilha da desnivelada passagem de nível.."Este ano há uma novidade imperdível no percurso da Volta de Portugal: a subida à Senhora da Graça por uma inédita ascensão final de 9km, a uma inclinação média de 7%, que culmina num último quilómetro em terra batida.”. Por estes dias, a Volta a Portugal regressa às estradas portuguesas. A prova já há muito que não se estende sequer por duas semanas, nem tão pouco percorre Portugal de lés a lés, mas continua a ser a “Grandíssima” no coração dos apaixonados da modalidade.Este ano, há um russo, de seu nome Artem Nych, a tentar um “tri” de vitórias consecutivas, que só o lendário Joaquim Agostinho e o espanhol David Blanco conseguiram até hoje. E uma novidade imperdível no percurso: a subida à Senhora da Graça por uma inédita ascensão final de 9km, a uma inclinação média de 7%, que culmina num último quilómetro em terra batida.Este fim de semana marca também o regresso do futebol de primeira aos relvados nacionais. Parece que ainda ontem acabou o Campeonato do Mundo e já Estoril e Famalicão dão, esta sexta-feira, o pontapé de saída oficial da I Liga 2026/27, para a qual o FC Porto parte como campeão em título, o Sporting como o campeão de pré-época e o Benfica como uma incógnita difícil de desvendar.E, como se isso não fosse já o suficiente para entusiasmar qualquer fanático do desporto, segunda-feira arrancam os Europeus de Atletismo em Birmingham, na Inglaterra, onde Portugal leva 55 atletas e um bom punhado de esperanças de medalhas, de Pedro Pichardo a Isaac Nader, Agate de Sousa ou Gerson Baldé.