Ele acredita mesmo que o país precisa de si

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Seguro está a formar a sua equipa, Ventura voltou ao Parlamento, Marques Mendes percorre o deserto, o almirante faz contas de cabeça e Cotrim provou não ser adepto de travessias ou de médios ou longos silêncios. Depois das presidenciais cada um foi à sua vida, uns com mais estardalhaço, outros com mais discrição, mas todos se fizeram ao caminho.

Todos, menos Humberto Correia que, logo na semana seguinte ao sufrágio, montou uma banca de recolha de assinaturas em Olhão para se voltar a candidatar em 2031. O homem que andou pelo país mascarado de Afonso Henriques, que conquistou à espadeirada 3568 votos, o equivalente a 0,06%, está nas ruas da sua cidade a pintar quadrinhos para turistas e a pedir papelada para o grande objetivo da sua vida: ser Presidente da República. Se não foi agora, será dentro de cinco anos.

"O homem que andou pelo país mascarado de Afonso Henriques, que conquistou à espadeirada 3568 votos, o equivalente a 0,06%" do sufrágio.
"O homem que andou pelo país mascarado de Afonso Henriques, que conquistou à espadeirada 3568 votos, o equivalente a 0,06%" do sufrágio.D.R.

Humberto sabe que não há um dia que possa ser perdido, que os poucos votos que teve são a prova de que a mensagem não chegou. Terá de se esforçar mais, de sol a sol se for preciso, não há um minuto que se possa dar ao luxo de perder.

Fá-lo por sentir que o país precisa de si, de um novo conquistador, de alguém que venha do povo, de alguém como ele que, aos 16 anos, já trabalhava nas obras em Paris.

Humberto está a escrever a sua autobiografia, convenceu-se de que essa é a peça que falta para que o país perceba que só ele pode mudar Portugal.

Podemos encontrá-lo nas ruas de Olhão numa banca de assinaturas que é uma prova inequívoca de que o surrealismo não morreu. Aliás, é a prova de que a loucura pode ser grandiosamente patética.

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