A ministra da Cultura surpreendeu algumas figuras desprovidas de memória com uma declaração de princípio: “Eu sou feminista. Continuam é a faltar feministas mais ativas”. Alguém perguntara acerca das “mulheres conservadoras” a uma outra convidada da Universidade de Verão do PSD, mas foi Margarida quem respondeu de forma a que não restassem dúvidas.
Ao contrário do que se possa pensar, a ministra foi ao encontro da matriz ideológica do seu partido. Após a Revolução de 1974, apesar da sua base conservadora, o PPD liderou no Parlamento algumas das mais notáveis mudanças no estatuto das mulheres na sociedade portuguesa.
Várias das mais luminosas progressistas da nossa história contemporânea estiveram com Francisco Sá Carneiro nesses anos de construção democrática. Natália Correia, Helena Roseta, Helena Vaz da Silva e Amélia de Azevedo, com pesos e ideias diferentes, foram percursoras no combate pela igualdade de género.
Foi Leonor Beleza quem “matou” o conceito de “chefe de família” na Reforma do Código Civil. Depois disso, a feminista Assunção Esteves foi a primeira mulher a presidir ao Parlamento e ao Tribunal Constitucional.
Teresa Patrício Gouveia ou Paula Teixeira da Cruz, cada uma à sua maneira, contribuíram fortemente para “matar” preconceitos. E o mesmo poderia escrever de Teresa Morais, infatigável na sua coerência.
Ou do próprio fundador que colocou uma mulher no centro de todas as suas equações.
Margarida Balseiro Lopes provou a sua coragem, determinação e convicção. E mostrou fazer parte de uma linhagem que representa o melhor do país.