O valor do respeito em política

Eduardo Teixeira

Economista e deputado à Assembleia da República pelo Chega

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O debate político vive de ideias, de visões distintas e de confronto democrático. É essa diversidade que enriquece a sociedade e fortalece as instituições. Por isso mesmo, importa que esse debate seja conduzido com elevação, respeito e sentido de responsabilidade.

Recentes declarações de opiniões de falta de qualidade de atores políticos, dirigidas apenas a um partido opositor de outro quadrante político, justificam, por isso, uma reflexão serena. Não tanto pelo conteúdo isolado da afirmação, mas pelo enquadramento e pela generalização que transmite.

A política não se faz apenas de posições firmes, faz-se também de respeito por percursos diferentes. Ao longo dos anos, muitos cidadãos e militantes tomaram decisões políticas legítimas, em função das suas convicções, da sua experiência e da forma como interpretam os desafios do país. Essas escolhas, independentemente da concordância que possam gerar, fazem parte da normalidade democrática.

Reduzi-las a uma leitura simplificada não contribui para a compreensão da realidade política atual, que é, cada vez mais, plural, dinâmica e exigente.

Vivemos um tempo de mudança. Os cidadãos estão mais atentos, mais informados e mais disponíveis para questionar o rumo do país e o funcionamento das instituições. Essa exigência tem-se refletido também na evolução do panorama político, com o crescimento de novas forças e a redefinição de equilíbrios que durante anos pareceram estáveis.

O crescimento do Chega deve ser interpretado nesse contexto. Mais do que uma questão partidária, é um sinal de que uma parte relevante da sociedade procura respostas diferentes, maior exigência na ação política e uma maior proximidade às suas preocupações concretas, desde o custo de vida à segurança, passando pela qualidade dos serviços públicos.

Ignorar este fenómeno ou reduzi-lo a leituras simplistas não ajuda a compreender o que está em mudança no país. Pelo contrário, afasta o debate daquilo que verdadeiramente importa: perceber as razões, identificar os desafios e encontrar soluções.

A política ganha quando se centra em ideias, propostas e soluções concretas. Perde quando se afasta desse caminho e se aproxima de juízos generalistas ou de classificações que pouco acrescentam ao debate.

É natural que existam divergências, fazem parte da democracia e são, aliás, um dos seus maiores sinais de vitalidade. Mas essas divergências devem contribuir para um debate mais rico, mais esclarecedor e mais próximo dos cidadãos.

Num momento em que tantos portugueses pedem mais da política, mais clareza, mais transparência, mais resultados, importa que o discurso público acompanhe essa exigência.

Mais do que procurar rótulos ou leituras simplificadas, para generalizações, talvez seja mais útil compreender o que está por detrás das escolhas políticas e o que elas revelam sobre o país que temos.

Porque, no final, o essencial é manter o foco no que realmente importa: a qualidade da democracia e o futuro do país.

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