Uma concorrente ataca um dos aliados na casa. Esses aliados acusam-na de traição contra o líder. Um dos protegidos desse líder, entretanto, queixa-se de não ser tratado com o mesmo carinho destinado a outro concorrente ainda mais protegido.O superprotegido, por sua vez, sugere que um terceiro concorrente anda maluco. O par romântico do suposto maluco concorda que ele não está bem, mas porque se sacrifica como ninguém pela casa e não recebe nada em troca. O superprotegido culpa, então, esse casal por intrigas que prejudicam a aliança como um todo.O tal maluco não se fica: acusa esse protegido e a concorrente do início do texto de sofrerem de amnésia. Ela responde com uma indireta em que cita a alcunha dele para risota da audiência e constrangimento do próprio.Em Portugal, talvez a maior referência de reality shows seja ainda a 1.ª edição do Big Brother, no longínquo ano 2000. Pois o Big Brother Brasil (BBB) já vai na 26.ª edição consecutiva e continua um sucesso.Para isso contribuem, além dos atrativos naturais deste tipo de programas - os romances, as brigas, as agressões, os escândalos e, acima de tudo, o voyeurismo -, o poder e a competência da TV Globo. A segunda maior emissora do mundo, só atrás da americana ABC, assegura que o modelo reality, mesmo aparentemente esgotado, nunca seja um fracasso, e que aqueles romances, brigas e escândalos se tornem assunto nacional por serem protagonizados por concorrentes conflituosos e desinibidos escolhidos a dedo. O BBB é notícia até nas outras televisões.Mas calma. Este texto perdeu o fio à meada: porque a partir do quarto parágrafo começou a falar do BBB? Afinal, os primeiros três parágrafos não se referiam a nenhum programa da Globo - mas, ainda assim, a uma espécie de reality com romances, brigas e escândalos protagonizados por concorrentes conflituosos e desinibidos escolhidos a dedo: a família Bolsonaro. A concorrente - à Presidência, à Vice-presidência ou ao Senado - que atacou um amigo dos supostos aliados é Michelle Bolsonaro, crítica do nome escolhido pelo líder da família, Jair Bolsonaro, para o governo do Ceará. Flávio Bolsonaro, concorrente assumido ao Planalto, e o irmão Carlos acusaram-na, por isso, de ser desleal ao ex-presidente. Carlos, entretanto, foi às redes lamentar que o pai dê menos atenção à neta, filha dele, do que ao bebé do senador Nikolas Ferreira, o deputado-estrela do bolsonarismo.Noutro momento do reality, Nikolas sugere que o deputado Eduardo, outro filho de Bolsonaro, não anda bem. Heloísa, mulher de Eduardo, defendeu o marido, escondido nos EUA. Já Nikolas culpou-os pela tristeza causada a Jair, que está mesmo confinado na vida real, com tanta intriga.Eduardo não se ficou: para ele, Michelle e Nikolas sofrem de amnésia. Em seguida, Michelle publicou uma foto de banana frita: por culpa de uma ex-ressentida, a alcunha de Eduardo no esgoto da internet é “bananinha”.Os Bolsonaro, apesar de terem escolhido a política como negócio de família, têm pouco de Kennedys e muito de Kardashians.