O papel de Cascais no centro das relações euroafricanas

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

Publicado a

Não é em qualquer circunstância que uma cidade tem a oportunidade de refletir sobre o que a liga a outros continentes ou cidades longínquas, cuja distância não é obstáculo à sua relação com Portugal. Esta semana, Cascais tem uma ocasião para se imergir no debate acerca desta temática no que diz respeito ao continente africano, na receção do Eurafrican Forum 2026.

A História de Portugal é um guia que nos tem muito a dizer sobre as relações entre África e Europa. Devido às ligações culturais e linguísticas que o nosso país mantém com vários países africanos, Cascais e os municípios portugueses podem ser pontes essenciais para o futuro euroafricano, fazendo uso do potencial económico e humano de ambos os continentes.

No município de Cascais, os números revelam a densidade da relação que existe com África. Cerca de 7% da população residente no concelho é africana. De Cabo Verde a Angola, Guiné-Bissau a S. Tomé e Príncipe, são visíveis os casos de pessoas que veem na nossa autarquia uma chave para o seu futuro e o futuro das suas famílias.

E esta escolha não acontece no vazio. Desde há alguns anos, algumas cidades destes países são cidades geminadas com Cascais, como Sal ou Santana, com as quais se partilham experiências e práticas sociopolíticas que estimulam o crescimento de ambos os parceiros envolvidos nesta iniciativa.

É com este mesmo espírito e propósito que Cascais recebe mais uma vez o Eurafrican Forum, em 2026. Da organização do Conselho da Diáspora Portuguesa – que tem a sua sede no nosso concelho –, esta iniciativa permite colocar em contacto duas civilizações distintas, mas próximas. Os Estados que as representam aparecem neste cenário como os pilares de uma ponte construída conjuntamente para o desenvolvimento económico, social, político e ambiental de cada continente.

Apesar dos vários desafios que as populações africanas atravessam nos dias de hoje, como a falta de crescimento económico e de desenvolvimento social, o alastramento de fenómenos terroristas e as alterações climáticas, África tem as riquezas naturais e os talentos humanos para ser o que muitos apelidam de “o continente do futuro”. No hemisfério norte e ocidental, a Europa e os seus aliados estão em condições de ajudar os países africanos a atingir esse patamar, nomeadamente através da exportação de modelos políticos e económicos eficazes, que provam que funcionam todos os dias.

E neste domínio, como em muitos outros, os municípios também têm uma palavra a dizer. E Cascais pode fazê-lo em particular este ano, em que foi reconhecido como Capital Europeia da Democracia. Pode partilhar as suas práticas políticas mais comuns e experimentadas, que se traduzem em iniciativas como o Orçamento Participativo, a Estratégia Local de Habitação ou as políticas de atração de investimento estrangeiro, sempre com o objetivo de aliar tradição e modernidade. Esta é a missão de Cascais para com África: ajudar a não esquecer o passado e a não deixar de construir o futuro de dia para dia.

Diário de Notícias
www.dn.pt