O papa Leão XIV e a confiança na ciência

Filipe Froes

Doutorado em Saúde Pública e membro do Conselho Nacional de Saúde Pública

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“Um homem saudável deseja mil coisas,

um homem doente deseja apenas uma.”

 

Confúcio,

destacado filósofo e mestre chinês (551 a.C.-479 a.C.)

Em 2024, segundo as estimativas da Organização Mundial da Saúde, ocorreram cerca de 20,6 milhões de novos casos de cancro em todo o mundo, dos quais aproximadamente 2,6 milhões eram do pulmão. Destes, quase meio milhão na Europa. Em Portugal, estimaram-se, nesse ano, pouco mais de 6000 novos casos de cancro do pulmão, a doença oncológica que causa mais mortes no nosso país.

Entre os casos diagnosticados em 2026 encontra-se o de Robert Francis Prevost, nascido a 14 de setembro de 1955, em Chicago, nos Estados Unidos da América (EUA), e eleito papa a 8 de maio de 2025, tendo adotado o nome de Leão XIV. Sucedeu ao papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio, falecido a 21 de abril desse mesmo ano.

Num gesto de humildade e abertura, Leão XIV revelou aos fiéis, durante a oração do Angelus de domingo, 11 de outubro de 2026, que tinha um nódulo no pulmão e que, por recomendação médica, seria submetido a uma intervenção cirúrgica. Segundo as informações divulgadas, a lesão tinha sido detetada numa fase muito precoce. Dois dias depois, a 13 de outubro, sua santidade foi submetida a uma lobectomia inferior direita por videotoracoscopia no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma.

O exame histológico realizado durante a intervenção confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma do pulmão. A cirurgia decorreu sem complicações e, no sábado, 17 de outubro de 2026, quatro dias após a operação, foi anunciada a alta hospitalar. Também o papa Francisco tinha sido submetido, em 1957, à remoção de uma parte do lobo superior do pulmão direito, devido a uma doença infeciosa, e não a um cancro.

O adenocarcinoma é o tipo histológico mais frequente de cancro do pulmão e representa cerca de 40% dos casos, embora esta proporção varie consoante a população e o período analisado. Nos EUA, a idade média ao diagnóstico de cancro do pulmão ronda os 70 anos e Leão XIV tinha 71 anos na altura do diagnóstico. Não há registos de que Leão XIV tenha sido fumador, mas o tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento desta doença. Quem fuma cigarros tem um risco cerca de 15 a 30 vezes superior ao de quem nunca fumou. Isso não significa que todos os fumadores desenvolvam a doença, nem que quem nunca fumou esteja livre desse risco.

Outros fatores de risco incluem o tabagismo passivo, a exposição ao radão e a outros agentes cancerígenos, a poluição atmosférica, os antecedentes familiares e a suscetibilidade genética. Deixar de fumar reduz progressivamente o risco, embora este possa permanecer superior ao de quem nunca fumou.

Leão XIV, na saúde e na doença, confiou sempre na ciência e seguiu os conselhos médicos. Um admirável exemplo para todos nós!

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