O novo modelo de mobilidade em Coimbra: devolver a cidade às pessoas

Ana Abrunhosa

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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O novo modelo de mobilidade de Coimbra, estruturado em torno do Sistema de Metrobus do Mondego (SMM), representa uma profunda mudança de paradigma na gestão do espaço urbano. O objetivo é transitar de um modelo focado no automóvel individual para uma cidade que prioriza os peões, os modos suaves e um transporte público elétrico de elevada capacidade, complementado pela rede dos SMTUC, garantindo zero emissões e maior previsibilidade nos tempos de viagem.

Esta reconfiguração reflete-se na pedonalização de vias emblemáticas, como a Rua da Sofia, classificada como Património da Humanidade – onde o trânsito foi eliminado para devolver o espaço aos cidadãos através de áreas pedonais e alargamento de passeios –, mantendo-se apenas o canal dedicado aos transportes públicos.

Esta grande transformação só foi possível concretizar-se após um diálogo intenso e construtivo com comerciantes e moradores, contando também com um notável empenho e dedicação dos serviços do município.

Com as restrições impostas na Baixa e no centro histórico, a circulação rodoviária foi reorganizada para canalizar o tráfego de atravessamento para artérias periféricas. O acesso automóvel ao núcleo urbano passa a ser condicionado a moradores, emergências e cargas e descargas. No entanto, o acesso ao Mercado Municipal por carro continua garantido, uma vez que este dispõe de vários parques de estacionamento, embora o respetivo percurso rodoviário tenha sido desviado do centro histórico.

Para reter os veículos nas portas de entrada da cidade e incentivar a transição para o transporte público, o modelo aposta na reestruturação e expansão da rede de parques dissuasores Park & Ride, integrados com o sistema Ecovias (com tarifas reduzidas ou gratuitas para utilizadores de transportes públicos, por oposição ao estacionamento de curta duração no centro, que será fortemente taxado).

Como exemplo na Entrada Norte, destacam-se os parques da Estação Coimbra-B, da Casa do Sal e a proposta de um novo parque de retenção em Fornos para captar preventivamente o tráfego da A1, IP3 e IC2 Norte.

Em suma, este conjunto de intervenções sublinha a importância fundamental de devolver as ruas do centro histórico às pessoas e de cuidar ativamente dos espaços públicos, construindo uma cidade mais sustentável, habitável e centrada no bem-estar coletivo.

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