No primeiro debate de campanha, no último domingo, 9 de agosto, na Rede Bandeirantes de Televisão, perante uma plateia animada e participativa composta pelas principais figuras da política do Brasil, discutiu-se lulismo, bolsonarismo e a polarização entre os dois movimentos.
E os efeitos económicos e políticos do tarifaço de Donald Trump sobre as exportações brasileiras. Falou-se tanto do combate à expansão do Primeiro Comando da Capital e demais organizações criminosas nacionais quanto das políticas de segurança pública de cada uma das campanhas.
Das privatizações como modelo de gestão e das relações entre o governo federal e as 27 unidades federativas; dos indicadores brasileiros de alfabetização e dos problemas do país na área da Saúde; da dívida pública e do nível de investimentos; da administração do orçamento e do apoio a programas.
Ou seja, como é suposto, num frente a frente televisivo entre os dois principais candidatos à Presidência da República, nenhum tema nacional ficou por abordar no primeiro duelo de campanha.
E, no entanto, não estiveram em palco nem Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, nem Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal – o primeiro debate entre eles e os demais concorrentes ao Palácio do Planalto está previsto apenas para 23 de agosto, na mesma Rede Bandeirantes.
Porque o debate a que nos referimos nos primeiros parágrafos, era só entre os dois principais candidatos ao governo do Estado de São Paulo neste ano.
Mas, embora realizado a 9 de agosto de 2026, já visou as eleições presidenciais do Brasil de 2030, porque reuniu Tarcísio de Freitas, o atual governador paulista, e Fernando Haddad, o seu principal desafiante.
O primeiro, ex-ministro de Jair Bolsonaro e preferido por toda a direita brasileira, à exceção do próprio Jair Bolsonaro, que indicou o primogénito como adversário de Lula já neste outubro, vai, ao que tudo indica, concorrer à Presidência do país daqui a quatro anos.
E o segundo, ex-ministro da Economia e da Educação de Lula e de Dilma Rousseff, ex-prefeito de São Paulo e candidato presidencial em 2018, já foi verbalmente nomeado pelo atual presidente como seu sucessor em 2030.
“Foi uma prévia de 2030”, afirmou Clarissa Oliveira, comentarista da CNN Brasil, após o debate. “Foi uma repetição de 2022 [Tarcísio e Haddad já haviam concorrido ao governo paulista há quatro anos] e um trailer para 2030”, titulou reportagem do jornal Folha de S. Paulo. “2030 chega mais cedo com Tarcísio e Haddad”, opinou Josias de Souza, no UOL. No mesmo portal, Marco Antonio Sabino perguntou se foi um debate em 2026 ou “um treino para 2030”.
Como São Paulo é mais conservador e de direita do que o Brasil geral, Tarcísio deve ganhar no estado neste outubro. Mas, em outubro de 2030, com o país todo a votos, talvez Haddad tenha favoritismo.
Só um facto pode alterar o futuro: se Flávio vencer a presidencial este ano, dificilmente não tentará a reeleição em 2030, frustrando os planos de médio prazo de Tarcísio.
Presente, 2026, e futuro, 2030, do Brasil entrelaçam-se hoje.