O cerco a Cuba

Diogo Noivo

Politólogo

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A acumulação de desaires no Irão não distraiu Washington dos seus objectivos em Cuba. Aliás, Cuba pode oferecer a vitória retumbante que não se conseguirá no Médio Oriente.

O Departamento do Tesouro norte-americano impôs, a 4 de Junho, uma nova ronda de sanções ao Politburo da ilha. O presidente Miguel Díaz-Canel, Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente Raúl Castro, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias (Minfar) e os Comités de Defesa da Revolução (CDR) ficam agora submetidos a um cerco mais apertado.

O anúncio destas medidas aconteceu na véspera do fim do prazo dado por uma Ordem Executiva da Casa Branca, segundo a qual se congelarão os activos em território norte-americano de pessoas e empresas com actividade comercial em Cuba.

A Visa e a Mastercard suspenderam actividades na ilha. Várias cadeias hoteleiras também puseram fim às suas operações. A estas empresas juntam-se muitas outras, como multinacionais mineiras, que se dedicavam à exploração de cobalto e níquel.

Mais do que afectar grandes empresas estrangeiras, a Ordem Executiva fez-se à medida da Gaesa, uma holding estatal controlada pelas Forças Armadas que domina mais de 40% da economia nacional, um exemplo perfeito da cleptocracia e das promiscuidades público-privadas que aguentam a ditadura castrista.

Esta ofensiva norte-americana chega depois da acusação formal contra Raúl Castro e outros cinco militares que, argumenta o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, derrubaram a 24 de fevereiro de 1996 duas avionetas da organização anticastrista Hermanos al Rescate, matando as quatro pessoas a bordo.

Porém, de todas as medidas penalizadoras da autocracia cubana, porventura a mais penosa seja a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Cuba ficou sem um patrocinador político e energético, o que agravou sobremaneira o já débil funcionamento da ilha.

É evidente que os Estados Unidos da América estão a estrangular o regime comunista cubano. Não nos deve surpreender: resulta da Estratégia de Segurança Nacional da Administração Trump, aprovada em dezembro de 2025, que converte a América Latina em espaço de influência de Washington.

No entanto, o efeito mais curioso desta ofensiva é demonstrar que, afinal, o embargo norte-americano implementado no início da década de 1960, cujos alegados efeitos mefistofélicos são, desde então, um mantra para Havana (e para os partidos europeus que apoiam o Castrismo), não matou a economia local. Se o tivesse feito, a oportunidade e a eficácia deste cerco seriam nulas.

Na semana passada, o aniversário de Raúl Castro, que fez 95 anos, celebrou-se com a detenção de um humorista. Mais um. No caso, Eduardo Ceballos, conhecido como Eddy Jones, criador, produtor e apresentador do canal de YouTube Despingovery Channel, uma sátira com sonoridades fálicas inspirada no Discovery Channel. Através do humor, Jones mostrou o absoluto colapso material, político e ético do regime castrista.

Estimativas citadas pelo jornal El Mundo apontam para a existência de 1200 presos políticos. Isto é, o dobro dos que existem na Venezuela, pese embora Cuba tenha apenas um terço da população venezuelana. Estas e outras misérias não são, certamente, culpa do embargo, nem da mais recente ofensiva de Washington.

Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico.

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