O bem-vindo ‘Shaitan’ houthi. Do livro ‘O Cristão Ronaldo’ – excerto

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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Com publicação prevista para 18 de novembro, O Cristão Ronaldo - Não é Futebol é Política, analisa a ofensiva houthi de Set/Out, com as prospectivas da guerra, para 2027.

“Porquê esta ofensiva agora?

Trata-se da resposta iraniana ao Acordo de Meca, do 7 de agosto, forma de colocar a ‘trilateral Arábia Saudita, Turquia e Paquistão’, a ‘mini-NATO do Golfo’, à prova, e confirmar se Turquia e Paquistão materializam a aliança firmada. A Turquia fornece actualmente apoio militar e partilha de informações, mas aguarda a aprovação do Parlamento desse Acordo Internacional. O Paquistão tem uma longa tradição em cooperação militar, com os sauditas, havendo militares paquistaneses, actualmente, em território saudita, mas certamente em formação e não envolvidos directamente na frente de batalha. Fazem o mesmo que os turcos, com fornecimento de equipamento militar, defesa aérea e partilha de informações. No entanto, ao contrário da Turquia, o Parlamento paquistanês, não tem de aprovar esta aliança, para a oficializar. Já é oficial, mas as fraquezas turcas e paquistanesas estão à vista, com prospectivas de piorar, o que acaba por ser bom! Porquê?

Porque estão aí as ‘legislativas americanas’, os Republicanos vão perder, Trump terá o Congresso e os tribunais, no ajuste de contas, o MAGA vai entrar em colapso e a delacção fará o resto. Neste ensimesmamento civilizacional americano, a guerra que os democratas encontrarão quando a poeira assentar, já não será uma guerra EUA-Irão, mas uma proxy war entre houthis e Arábia Saudita. Americanos continuarão a apoiar/fornecer Israel (e sauditas também), e os russos continuarão a apoiar/fornecer o Irão, que por sua vez instrumentalizará os houthis.

Neste contexto, de alheamento americano, mais as provas recentes de que não se tratam de aliado confiável, o Acordo de Meca, torna-se imperativo que seja operacionalizado, bem como se expanda, para se manterem os equilíbrios impossíveis, bem como para a sobrevivência política e física de MBS e da sua Salman Arabia. É neste contexto que faz sentido permitir o nuclear à Arábia Saudita, quando se nega ao Irão.

É esta a importância da ofensiva houthi na Arábia Saudita, remeter americanos e iranianos (o apocalíptico global) para os bastidores, dando palco a actores regionais (…).

Os houthis e Bab El Mandeb, foram o ‘mudador de jogo’, do último trimestre de 2026, abrindo caminho para um reforço do regional, enquanto o novo Congresso se vai afundar até ao Carnaval, a tapar buracos financeiros, a procurar dinheiro, expor escândalos (…) e será a Segunda Guerra Civil Americana, no modelo Estado de Direito (…).”

O Shaitan do título, significa Diabo, Satanás, em árabe.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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