'Nutrimerus Clausus'

Diana Silva

Vogal da Direção e representante da Ordem dos Nutricionistas na Madeira

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Por estes dias foi anunciado a abertura de mais um ciclo de estudos em nutrição, desta feita na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Estamos em 2026 e continua a abertura de ciclos de estudo em Ciências da nutrição e Nutrição e dietética.

A Ordem dos Nutricionistas não tem parecer vinculativo, o que significa que, mesmo que seja chamada a dar o seu parecer, e este seja negativo, como o tem sido, a Agência de Acreditação pode validar a abertura dos mesmos.

Apesar da melhoria do número de vagas para a realização de estágios à Ordem é inegável que persistem constrangimentos. Dificuldades essas que têm sido compaginadas em esforços na sensibilização para a alocação de vagas para a realização de estágios, a materialização do processo formativo e a eliminação da obrigatoriedade do estágio.

A Ordem tem trabalhado em todas estas frentes de forma a retirar os entraves no acesso ao mercado de trabalho e a dignificar a profissão, mas por favor ajudem!

Não é possível a melhoria deste panorama se continuarmos a engrossar as fileiras com novos ciclos de estudos e, consequentemente, novos licenciados. É todo um exército de jovens carregados de legítimas aspirações a quem dificilmente, no panorama atual, e agravado por esta continua abertura de mais licenciaturas, os seus intentos serão cumpridos. Pelo menos a uma parte significativa destes.

É assim tão difícil perceber que o mercado está saturado?!

Em 2022 tivemos 623 entradas no Ensino Superior público e privado; em 2023, 588 e, em 2024, novamente 623.

Em 2025 abriram mais 643 e 2026 hão-de ser mais ainda, porque o número de vagas continua a aumentar, qual bola de neve que ameaça esmagar a profissão.

O que há para perceber? Não é claro que temos excesso de vagas e que o mercado não comporta tantos nutricionistas?

Nós queremos ensino de qualidade, mercado de trabalho acessível e digno, e um crescimento sustentado.

Este caminho não é viável, conduzindo muitas vezes à procura de vias alternativas, segundas licenciaturas, integração noutras áreas de trabalho, trabalhos precários, migração ou suspensão de cédulas profissionais.

É um defraudar de expetativas inaceitável e que pode ser controlado, basta olhar para os números.

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