Nova SBE: um caso de sucesso que não precisa de tradução

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A Nova SBE tornou-se uma das bandeiras contemporâneas de Portugal precisamente porque ousou pensar global. Porque recusou a lógica da pequena escala. Porque compreendeu que, para atrair o mundo, é preciso falar a linguagem do mundo. 

Portugal tem hoje uma das escolas de gestão mais bem posicionadas da Europa e do mundo: a Nova School of Business and Economics. A sua afirmação internacional não nasceu por acaso nem por decreto. Foi construída com visão estratégica, liderança e mobilização coletiva, num projeto que teve em Pedro Santa Clara um dos seus principais impulsionadores.

A escola tornou-se uma marca reconhecida globalmente. Surge nos rankings internacionais, atrai estudantes de dezenas de nacionalidades e posiciona Portugal como destino académico competitivo. Num país frequentemente acusado de falta de escala, a Nova SBE tornou-se prova concreta de que é possível competir ao mais alto nível.

É por isso que a discussão sobre alterar o seu naming para uma designação diferente não é um detalhe administrativo. É uma decisão estratégica com impacto reputacional. No mercado global do Ensino Superior, a marca é um ativo. Não é cosmética nem vaidade linguística. É posicionamento. É equity acumulado ao longo de anos. É reconhecimento imediato por parte de estudantes, empregadores e parceiros internacionais.

Mudar um nome consolidado sem clara vantagem competitiva significa introduzir ruído onde existe clareza. Significa criar incerteza onde existe confiança. Significa, potencialmente, diluir valor onde existe diferenciação.

Invocar a defesa da portugalidade como argumento para essa alteração é, no mínimo, um equívoco conceptual.

A portugalidade não se mede pela língua da designação formal. Mede-se pela capacidade de afirmar Portugal no mundo. Mede-se pelo número de estudantes estrangeiros que escolhem o nosso país. Mede-se pelo talento que aqui se fixa. Mede-se pelo contributo para a reputação internacional de uma nação com mais de 900 anos de história.

Chamar-lhe “School of Business and Economics” não diminui Portugal. Amplifica-o.

A Universidade Nova de Lisboa, enquanto universidade pública, deve naturalmente respeitar a sua identidade nacional. Mas identidade não é sinónimo de retração. Num contexto de competição global por talento, as instituições que recuam no seu posicionamento estratégico arriscam perder relevância.

As grandes universidades europeias não se fecham linguisticamente. Projetam-se internacionalmente sem perder raiz. Equilibram identidade e ambição.

A Nova SBE tornou-se uma das bandeiras contemporâneas do país precisamente porque ousou pensar global. Porque recusou a lógica da pequena escala. Porque compreendeu que, para atrair o mundo, é preciso falar a linguagem do mundo. A Nova SBE tem Portugal integrado, tem sangue luso, é claramente portuguesa e feita por portugueses.

Reabrir este debate pode parecer um gesto simbólico. Mas os símbolos contam. E contam sobretudo quando sinalizam visão — ou a sua ausência.

Num momento em que Portugal precisa de mais ambição estratégica e menos nostalgia institucional, importa proteger aquilo que funciona. Aquilo que já provou valor. Aquilo que eleva o nome do país.

Neste caso, em concreto, não é o nome que nos define.

É a capacidade de competir, de atrair, de liderar.

E nisso, felizmente, já mostramos que sabemos estar à altura.

 

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