Faltam menos de oito meses para uma das mais significativas competições políticas europeias: a eleição presidencial francesa, cuja primeira volta está marcada para o dia 18 de Abril de 2027.
Como já vai sendo costume, Marine Le Pen torna a ter assegurada a passagem à segunda volta, a 2 de Maio. À semelhança do que tem vindo a acontecer na última década, as sondagens voltam a dá-la à frente, e desta vez com uma vantagem mais folgada (36%). A incógnita é saber quem irá disputar com ela a segunda volta.
Para isso, o Mouvement des Entreprises de France, a maior federação patronal francesa, desafiou-a e aos outros seis candidatos já formalizados para uma sessão de esclarecimento sobre política económica.
O local do debate foi o Estádio de Roland-Garros. No curso da Universidade de Verão da Federação patronal francesa, cinco empresários interrogaram os candidatos durante três horas sobre temas como a dívida pública (que em França anda pelos 117,5% do PIB) ou a idade da reforma.
Além de Marine, estavam o líder do La France Insoumisse, Jean-Luc Mélenchon (o extremista de esquerda que, segundo sondagens recentes, tem maiores probabilidades de enfrentar a extremista de direita na “final”), a ecologista Marine Tondelier, o social-democrata Raphaël Glucksmann, o macronista Gabriel Attal, o presidente de Les Républicains, Bruno Retailleau, e o candidato do centro-direita, Édouard Philippe.
Foram estes sete que responderam às perguntas do painel de empresários da Fundação, expondo os seus princípios e políticas no campo da economia.
Mélenchon defendeu que a França devia denunciar parte substancial da dívida e só pagar o que entendesse, considerou correcto baixar a idade da reforma para os 60 anos ou, no máximo, para os 62, e apelou aos empresários para que aumentassem os salários “para evitar a recessão”.
Marine Le Pen reiterou a confiança na iniciativa privada para revitalizar a economia, criticou a desindustrialização, a carga fiscal e a governação dos últimos mandatos de Macron e considerou a possibilidade de antecipar a reforma para os 62 de quem tivesse começado a trabalhar antes dos 20.
A tentar ganhar as graças dos patrões presentes, competindo nos princípios do liberalismo económico, estiveram Bruno Retailleau, presidente de Les Républicains, que atacou “o Estado burocrático”, o “Estado voraz” que tragava “mais de 57% da riqueza dos franceses”, e Édouard Philippe, que, seguindo igualmente uma linha neoliberal, apelou às empresas, “criadoras de riqueza”. Attal, ex-primeiro ministro de Macron, identificou o “aquecimento climático” e “a concorrência desleal da China” como os grandes perigos e desafios a enfrentar; e a ecologista Tondelier insistiu nos desastres naturais, equiparando a canícula à greve.
Segundo Collin Cétrick, jornalista de Le Figaro, a política económica de Marine Le Pen foi considerada a melhor por 36% dos inquiridos, seguindo-se-lhe Philippe, Retailleau, Attal, Glucksman, Melenchon e Tondelier. Em 2017, Le Pen tinha tido apenas 18% de aprovação no mesmo fórum. Assim, apesar de manter posições mais “sociais” do que o seu número dois, Bardella, Marine acaba agora de dobrar a percentagem de aceitação junto do empresariado.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia