Em maio passam seis meses deste mandato do Executivo da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Mas Carlos Moedas é presidente da câmara há quatro anos e meio. Quatro anos e meio de anúncios e de propaganda, mas de total falta de estratégia e incapacidade de execução.Há muitos exemplos concretos.Na habitação, a emergência social agravou-se, mas o orçamento municipal para 2026 reduziu cerca de 40% do investimento nesta área, enquanto os preços continuam a subir para máximos históricos (o custo da habitação em Lisboa representa cerca de 116% do salário médio). Enquanto isso, o Governo vende em hasta pública edifícios públicos com aptidão habitacional, perante o silêncio do presidente da CML.O Executivo Camarário autoriza empreendimentos luxuosos, que contribuem para tornar a cidade mais desigual e expulsar jovens e famílias. Nos bairros municipais, cada vez mais degradados, persistem sem solução problemas básicos, tais como avarias nos elevadores, que mantêm os moradores reféns dentro das próprias casas.Na Educação, a CML perdeu as verbas do PRR e há escolas a carecer urgentemente de obras, insalubres, inseguras e em condições indignas para os alunos, professores e restantes trabalhadores.Na mobilidade, os autocarros nunca circularam tão devagar e a Carris perde passageiros, perante a passividade do Executivo.Na higiene urbana, uma das principais promessas de campanha, Carlos Moedas anunciou uma mudança profunda, com a centralização na CML da gestão do lixo, responsabilizando as freguesias pelo que corre mal. Mas nem isso cumpriu. As freguesias continuam a assegurar a limpeza sem que a delegação de competências e os respetivos envelopes financeiros sejam contratualizados, deixando muitas juntas numa situação que dizem ser financeiramente insustentável.Mais de meio ano volvido sobre o trágico acidente do Elevador da Glória não há conclusões públicas, nem se deu apoio às vítimas e às suas famílias.Mesmo em investimentos que o próprio Moedas considerava emblemáticos, como o “Hub do Mar”, a incapacidade de execução é evidente, implicando a perda de verbas do PRR (que não podem ser canalizadas para outros equipamentos).Nos seis meses do atual mandato, assistimos a uma deterioração do funcionamento da Câmara. Um alto funcionário é suspeito de corrupção, mas o Departamento de Transparência e Prevenção da Corrupção, criado com pompa e circunstância, nada fez, nada sabia e nada investiga…O presidente nomeia militantes do Chega, sem currículo, nem competência, em troca do apoio daquele partido de extrema-direita. Foi com os votos do Chega que aprovou o Regimento da Câmara que limita a intervenção das oposições, que aprovou o Regulamento do Alojamento Local abrindo margem para novos registos, que aprovou um orçamento que reduz investimento em áreas fundamentais e que rejeita todas as propostas da oposição.Por outro lado, acentuou-se um padrão de desresponsabilização política. Moedas aponta o dedo a todos – a começar pelos próprios serviços da CML – sempre que há problemas, atrasos ou falhas.Lisboa não se governa com arrogância e opacidade, mas sim com coragem, estratégia e capacidade de execução.