O ministro da Educação, Fernando Alexandre, deveria ser demitido. A primeira razão é simples: lançou de forma precipitada a digitalização da classificação dos Exames Nacionais. Fernando Alexandre mexeu num sistema decisivo sem garantir que este funcionava. Apostou. Perdeu. E obriga alunos, famílias e professores a pagar a conta (incluindo 25 euros por cada prova de exame reapreciada). A segunda razão é a sucessão de falhas: atrasos, classificações erradas, resultados suspensos, pautas corrigidas, notas alteradas, novas soluções improvisadas para reparar as anteriores e, depois, novos erros encontrados. Isto é pura incompetência política. A terceira razão é a desigualdade criada entre os alunos. Uns concorrem ao Ensino Superior com classificações inicialmente validadas. Outros viram as notas alteradas. Outros ficaram dependentes de reapreciações ou de épocas especiais. Outros terão sido beneficiados pelos erros da digitalização. O ministro, ao contrário do que diz, já não consegue garantir que todos os alunos estão no concurso de acesso ao Ensino Superior em condições de igualdade. A quarta razão é a perda de confiança nas notas finais. Depois de tantos erros, a dúvida passou a fazer parte do sistema. Se os alunos e os pais não confiam nas notas e se os professores não confiam no processo, o ministro falhou no essencial. A quinta razão é a tentativa de fugir à responsabilidade. Fernando Alexandre apresenta as correções aos erros iniciais como prova da sua capacidade de resposta. Não são. São a prova de que a reforma foi mal preparada, mal executada e mal fiscalizada. Ainda por cima tenta encontrar, sem êxito e com uma lamentável falta de hombridade, sucessivos bodes expiatórios: os professores, os classificadores, o antigo presidente do Júri Nacional de Exames, os serviços que tutela, os exageros da oposição – tudo e todos, menos ele próprio. Luís Neves também deveria abandonar o Governo. A primeira razão é a relação entre o exercício das suas funções como diretor da Polícia Judiciária e um empreiteiro que recebeu trabalhos da instituição e realizou obras para o próprio Luís Neves. Pode haver explicações jurídicas, mas, politicamente, a situação é débil e roça o conflito de interesses. A segunda razão é a repetida falta de rigor na relação com o Estado. Por exemplo: quem dirige uma polícia criminal não pode fazer uma piscina numa casa sem pedir o licenciamento devido. Isto é laxismo. A terceira razão é o caso do atrelado apreendido num processo judicial, que acabou na posse do empreiteiro “amigo”. Uma prova pertencente a um processo criminal ainda em curso não é sucata. É um bem sob responsabilidade do Estado. A quarta razão é o dano causado à Polícia Judiciária. Quando surge a suspeita de que um bem apreendido pela PJ foi entregue a alguém, ainda que provisoriamente e como um alegado “favor” à instituição, toda a Judiciária fica sob suspeita... Há mais casos? A quinta razão é a incompatibilidade entre estas dúvidas e o cargo de ministro da Administração Interna. Quem tutela forças e serviços de segurança não pode permanecer no Governo enquanto tenta explicar relações privadas, contratos públicos e a circulação de uma prova judicial. Fernando Alexandre e Luís Neves deveriam ser demitidos, mas não vão ser. Depois da grande vitória política que Montenegro conseguiu com o Caso Spinumviva, já lá vai o tempo em que ministros saiam de cena por descredibilizarem as instituições.