“Isto é fantástico demais!”

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Do Júlio Cortazar, ficou-me uma estória da sua infância, contada pelo próprio, segundo a qual um dia tentou impingir a um colega de escola, as Vinte Mil Léguas Submarinas, de outro Júlio, o Verne, livro que o tinha entusiasmado como nunca antes lhe acontecera. No dia seguinte, perguntou ansioso, pela opinião do amigo, sobre aquela aventura futurista, a partir do século XIX. Foi com espanto que o ouviu ripostar um: “Não gostei, amanhã devolvo!” “Porquê, chê?” O “pá” muleta, dos argentinos. “É fantástico demais, chê!”

Desde o 12 de setembro de 2001, que não acordava tão entusiasmado, para saber qual a mentira nova do dia! E a esta distância, Bush filho parece um Doutor, comparado com o actual Presidente! Não é fantástico?

O actual, o incumbente, chamou-nos cobardes! Não é fantástico?

Fantástico, a palavra, tem origem no grego phantastikós, “que recebe imagens”/“imaginação”, por sua vez, derivado do phantázein, “fazer aparecer” e phaínein, “mostrar”. Depois, evoluiu do latim phantasticus, para descrever algo da imaginação, criando aparições e imagens irreais. No século XVIII, consolidou-se como género literário. Fim de citação IA.

Os americanos escolheram bem, parece que elegeram um incumbente português, um “português do Alberto Pimenta”, que nos definiu Na Arte de Ser Português, programa RTP de 1979. Conta o Pimenta, que um amigo próximo, precisou de um Atestado de Profissão, uma prova de que trabalhava, e conseguira-o dizendo a verdade e pagando um “imposto de extravagância”. O círculo de amigos próximos, perante o documento e a estória, foi unânime: “Ó pá, tu és um artista!” Não é fantástico? Acrescentar uma “bucha do Pimenta”, no episódio das musas. “Eh pá, se o velho veio do Restelo até ao Lumiar é porque tem alguma coisa para dizer!”

Ora se o incumbente foi até Ormuz, é porque tem alguma coisa para dizer, e cada dia diz uma coisa diferente! Não é fantástico?

Um grumete, num porta-aviões nuclear, francês - Charles de Gaulle - foi ao ginásio preparar-se para a guerra e denunciou tudo, ao partilhar o treino numa aplicação invisível. Este prosaico, expôs localização exacta do navio, distância face à costa turca e posicionamento da restante frota, em tempo quase real! Não é fantástico?

Para completar o insólito do pós-verdade, na semana passada a Confederação Africana de Futebol, retirou a Taça CAN2025 ao Senegal, ganha em janeiro, em Rabat, a Marrocos, por um a zero. Na secretaria perderam por três a zero, não é fantástico? Para lá da lobotomia, a 17, inicialmente sentida, creio que por todos, a principal preocupação manifestada, foi pelas casas de apostas, que a 19, concordaram pagar de novo! Não é ainda mais fantástico?

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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