Inovação e inclusão em democracia

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

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Aos 18 anos, a democracia entrega aos nossos jovens o direito de escolher. Podem decidir quem os representa nas autarquias e no Parlamento, o que querem estudar, onde querem trabalhar e, acima de tudo, que projeto de vida querem construir.

Mas, para muitos jovens com deficiência, esta idade assinala uma realidade bem diferente: a escola termina e, com ela, desaparecem muitas oportunidades de participação, autonomia e integração na comunidade. O futuro, que deveria abrir-se, parece fechar-se sobre si próprio.

As famílias também conhecem bem este momento. Procuram respostas e não as encontram. Perante a falta de alternativas, pais e mães acabam por se ver obrigados a deixar os seus empregos para poderem cuidar dos filhos.

O PIIC-me – Projeto Individual de Inclusão na Comunidade – nasceu em Cascais para responder a esta realidade. A 30 de outubro, foi distinguido nos Innovation in Politics Awards por um júri de 1000 cidadãos europeus, entre cerca de 300 iniciativas, vindas de toda a Europa. O projeto recebeu esta distinção em Cascais, no ano em que o município é também Capital Europeia da Democracia.

O princípio é simples, mas exige uma mudança profunda: em vez de adaptar o jovem às respostas existentes, construímos uma resposta personalizada, à medida das suas capacidades, interesses e aspirações. Cada plano é desenvolvido com o próprio jovem, a família e a escola, com o acompanhamento de um técnico e uma rede de parceiros que abre oportunidades no voluntariado, na formação profissional, no emprego, no desporto e na cultura.

O Guilherme é um desses jovens. Quando terminou a escola, ficou em casa. A resposta disponível não correspondia ao seu perfil nem às suas expectativas.

A equipa do PIIC-me percebeu que gostava de trabalhar com pessoas mais novas e, em articulação com a Divisão de Voluntariado da Câmara Municipal de Cascais, encontrou-lhe uma oportunidade numa escola do concelho. Começou a apoiar os assistentes operacionais na cantina e nas tarefas de arrumação. Professores, funcionários e alunos reconheceram as suas capacidades. O Guilherme encontrou um lugar onde se sente útil e integrado. A família encontrou a resposta que procurava.

Falar de Cascais como um território para toda a vida é também falar desta passagem entre a escola e a vida adulta. Uma comunidade que cuida dos seus não pode deixar de acompanhar os jovens nesta etapa. A qualidade de vida mede-se também assim: um jovem que sai de casa porque tem um lugar onde ir, uma família mais tranquila, uma mãe ou um pai que, assim, pode regressar ao trabalho.

Em política, é preciso inovar e incluir. Inovar sem incluir é transformar a mudança num exercício vazio. Incluir sem inovar é exigir às pessoas que caibam no que já existe.

É esse o compromisso que temos com esta geração: garantir que os nossos jovens podem escolher o seu caminho e continuar a fazê-lo ao longo de toda a vida.