Quando me mudei de Roma para Lisboa há dez anos, uma das principais razões foi a gentileza dos lisboetas. As palavras mais usadas eram: “desculpe”, “com licença”, “obrigada”.Alguns meses depois de viver aqui, decidi começar a procurar endereços por conta própria.Naquela altura, os mapas digitais não eram tão comuns. Sempre que pedia indicações, as pessoas paravam o que estavam a fazer e acompanhavam-me até ao destino. Fiquei tocada.“Devem estar a flertar contigo”, brincou o meu marido. Não era o caso. A gentileza vinha de todos, por igual.Lembro-me de uma vez em que tive dificuldades para comprar um bilhete de barco no Cais do Sodré. Um jovem estudante do Ensino Secundário ajudou-me com simpatia e depois disse: “Nunca viajei para o estrangeiro. Gostava de ter visto a sua cidade, Istambul.”São momentos que ficam connosco.Foi como uma lufada de ar fresco depois de ter vivido uma atitude muito diferente em Itália. Em Roma, lojas e quiosques exibiam frequentemente placas a dizer: “NÃO PEÇA INFORMAÇÕES.” Talvez estivessem cansados dos turistas – mas ainda assim…Depois vieram as minhas experiências com taxistas no Aeroporto de Lisboa, nos últimos dois anos.No início, sempre que acontecia algo desagradável, ficava em silêncio. Devia ser um caso isolado. Estas experiências não condiziam com a minha perceção.Mas receio que tenha chegado a altura de falar.Nos últimos anos, apanhar um táxi do aeroporto para o centro de Lisboa tornou-se uma experiência stressante. Quando vamos para o aeroporto, a tarifa normalmente não ultrapassa os 14 euros. A viagem de regresso é outra história.Somos frequentemente tratados como “clientes indesejados” porque o meu marido fala português fluentemente, deixando claro que não somos turistas.Um motorista após outro na fila faz-nos sinal para seguir para o próximo táxi. É como se tivéssemos algo contagioso e ninguém nos quisesse no carro.Eventualmente, se um motorista aceita, há uma condição: “Está bem, entrem, mas é sem cartão de crédito.”Numa ocasião, chamei educadamente a atenção do motorista para o facto de ele não ter ligado o taxímetro. Ele travou bruscamente logo à saída do aeroporto e disse: “Se quiser sair, saia. A viagem é preço fixo: 25 euros.”Explicámos que viajamos com frequência e que nunca tínhamos ouvido falar de tal tarifa fixa. Ele respondeu dizendo que os motoristas têm dificuldade em ganhar a vida devido às tarifas baixas e à falta de turistas!“Levo-vos”, acabou por dizer, “mas não por menos de 20 euros. Combinado?”Relutantemente, aceitámos. Voltar à fila de táxis para enfrentar a mesma situação novamente não parecia uma opção.Noutras ocasiões, os motoristas usam o taxímetro, mas depois tentam cobrar mais 10 euros por duas pequenas malas de cabine. Cada viagem termina da mesma forma: à porta de casa, tensos e exaustos.A experiência dos nossos amigos que nos visitam como turistas não é diferente.Sim, existem serviços de transporte por aplicação. Mas sempre preferi os táxis para apoiar a economia local.Em muitas cidades europeias, até em Roma, existem sistemas claros e regulados: tarifas fixas de aeroporto em ambos os sentidos ou quiosques de pré-pagamento antes de apanhar o táxi.Estou confiante de que Lisboa adotará medidas semelhantes.Já vem tarde.