Hinos

Wang Suoying

Prof.ª Auxiliar aposentada da Universidade de Aveiro e Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa

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Fui há dias à receção da Embaixada da China por ocasião do 77º aniversário da fundação da República Popular da China. Após ter ouvido o hino nacional da China, seguido do hino nacional de Portugal, ecoava-me na mente o final dos dois hinos:  “Marchar!” E essa semelhança resultou da luta firme dos dois povos contra os inimigos.     

Segue a letra do hino chinês: 

Levantemo-nos!

Pessoas que não queremos ser escravos!

Com o nosso sangue e a nossa carne,

Construiremos a nossa nova Grande Muralha!

A Nação Chinesa chegou ao momento mais crítico,

Todos somos forçados a soltar o último grito.

Levantemo-nos!

Levantemo-nos!

Levantemo-nos!

Nós, milhões de pessoas, unidas numa vontade,

Contra o fogo dos canhões inimigos,

Marchar!

Contra o fogo dos canhões inimigos,

Marchar!

Marchar!

Marchar!

Marchar!

O hino da China, com letra do poeta Tian Han, música do compositor Nie Er e nome original A Marcha dos Voluntários, nasceu em 1935 como canção-tema do filme Filhos na Tempestade. Na altura, o Japão invadiu o Nordeste da China e a Nação Chinesa deparou-se com um momento crítico, de vida ou morte. Recusando-se a ser escravizadas, desprovidas de Pátria, as pessoas marcharam corajosamente para a frente de combate. O filme descreve esta situação e a sua canção-tema A Marcha dos Voluntários reflete a tradição e o espírito de bravura, firmeza e unidade da Nação Chinesa. Foi precisamente por este motivo que em 27 de setembro de 1949 a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês decidiu escolher esta canção para hino nacional da República Popular da China. 

Por sua vez, A Portuguesa, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, era também uma marcha, “composta em 1890 (na sequência do Ultimato britânico) ” e “consagrada hino nacional na Assembleia Nacional Constituinte de 19 de junho de 1911”, após a implantação da República Portuguesa a 5 de outubro de 1990, por ser um símbolo popular de resistência patriótica e dos ideais republicanos após o Ultimato. O verso “Contra os canhões marchar, marchar!” fecha cada um dos seus três refrões.

Comparando a letra, os dois hinos exaltam a identidade, a união e a determinação de lutar e avançar do povo. Para além disso o hino chinês evoca a sua história brilhante com o verso “construiremos a nossa nova Grande Muralha” e o hino português enaltece o passado glorioso da nação.  

Em relação à música, ambas caracterizam-se por um ritmo enérgico de marcha patriótica, com uma melodia comovente e apaixonada, a reforçar o espírito de luta e a determinação de avançar. 

Há uns 20 anos, o curso de chinês da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa traduziu e cantou A Portuguesa em chinês, tornando-se uma notícia da TSF. 

Anualmente, no mês de outubro, celebramos o aniversário de duas repúblicas amigas,  no dia 1 da República Popular da China e no dia 5 da República Portuguesa, ambas com povos dotados de espírito indomável, tradição de luta firme, e bravura de marchar, pelo mundo imprevisto!

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