Exportar e crescer mais

Eduardo Teixeira

Economista e deputado à Assembleia da República pelo Chega

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Portugal enfrenta hoje um dos seus problemas mais persistentes e menos debatidos: a fragilidade estrutural do seu modelo exportador. Num momento em que o contexto internacional se torna mais instável, os sinais são claros e preocupantes. As exportações portuguesas abrandam, perdem peso relativo e revelam limitações que o país continua a adiar enfrentar.

Os dados mais recentes mostram que Portugal se manteve a meio da tabela, como o 15.º maior exportador da União Europeia para os Estados Unidos, mas com uma quebra significativa de 13,4% nas vendas para aquele mercado. Mais do que um número, este recuo traduz uma realidade: a nossa capacidade de competir externamente continua vulnerável a choques externos e à incerteza internacional, como as tensões comerciais e os conflitos geopolíticos.

O início de 2026 veio reforçar esta preocupação. Entre tempestades internas e o impacto da escalada no Médio Oriente, com reflexos no preço da energia e nas cadeias logísticas, a economia portuguesa entrou num período de desaceleração. A contração do PIB no primeiro trimestre, ainda que ligeira, é um sinal de alerta para uma economia que depende fortemente do exterior, mas que não conseguiu estruturar um modelo exportador sólido e resiliente.

Mas seria um erro atribuir tudo ao contexto internacional. A verdade é que Portugal exporta pouco valor porque exporta com pouca escala. O nosso tecido empresarial continua excessivamente fragmentado, assente em milhares de pequenas empresas com reduzida capacidade de internacionalização. Esta realidade limita a produtividade, reduz margens e impede a consolidação de posições competitivas nos mercados externos.

E isto tem consequências muito concretas no dia a dia do país. Menos exportações significam menos riqueza criada, menos investimento e menor capacidade de pagar melhores salários. Traduz-se numa economia que cresce abaixo do seu potencial, numa menor criação de emprego qualificado e numa dependência maior de setores mais voláteis, como o turismo. Quando as exportações não conseguem compensar choques externos, são as famílias e as empresas que sentem diretamente esse impacto, seja através da perda de rendimento, da subida de preços ou da instabilidade económica.

Ao contrário de outras economias europeias, Portugal não tem um número suficiente de empresas de média dimensão capazes de crescer, inovar e liderar exportações. Entre as grandes empresas e o universo das micro e pequenas, existe um vazio que penaliza o desempenho global da economia. Quando muitos exportam pouco, o país exporta menos do que poderia e cresce menos do que precisa.

A isto junta-se um fator que não pode continuar a ser ignorado: o peso da fiscalidade. Num contexto de incerteza e concorrência global, Portugal mantém uma carga fiscal que desmotiva o crescimento das empresas e penaliza quem quer ganhar escala. Em vez de promover consolidação e competitividade, o sistema continua a favorecer a fragmentação.

O resultado está à vista. Exportações com menor peso no PIB, maior exposição a choques externos e uma economia mais vulnerável. Num mundo em transformação, marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias de valor e maior competição internacional, esta fragilidade não é apenas um problema económico. É um risco para o crescimento sustentado do país.

Portugal precisa de mudar. Exportar mais não chega. É preciso exportar melhor, com mais valor e maior dimensão empresarial. Isso exige políticas que incentivem o crescimento das empresas, que reduzam obstáculos fiscais e que apostem verdadeiramente na produtividade e na inovação.

Porque, no fim, a questão é simples: ou o país ganha escala e competitividade, ou continuará dependente de ciclos externos que não controla. E essa é uma dependência que Portugal já não pode permitir-se manter.

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