No próximo dia 23 de Junho, o Auditório do Ministério das Finanças, na Praça do Comércio, acolhe um encontro científico e cultural que assinala o encerramento das comemorações dos 250 anos da inauguração da Estátua Equestre de D. José I, obra-prima de Joaquim Machado de Castro. A escolha do local não é casual: das suas janelas avista-se o monumento inaugurado em 1775, precisamente o centro das celebrações promovidas pelo Departamento de História, Artes e Humanidades (DHAH) da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL).Embora se tenham já assinalado os 251 anos da inauguração da estátua, no passado dia 6 de junho, esta iniciativa pretende não apenas homenagear a mais emblemática obra do maior escultor português do século XVIII, mas também aproximar da sociedade civil o conhecimento produzido pela academia.Um dos momentos centrais do encontro será a apresentação da tradução inglesa da Descripção Analyptica da execução da estátua equestre, texto da autoria de Joaquim Machado de Castro. Mais do que um relato da realização do monumento, esta obra constitui um verdadeiro tratado de escultura, revelando uma faceta menos conhecida do artista: a de intelectual e teórico das artes. A tradução permitirá colocar ao alcance da comunidade científica internacional uma das mais importantes obras da tratadística portuguesa, frequentemente pouco utilizada pelos especialistas estrangeiros devido à barreira linguística.O programa incluirá ainda a estreia de um pequeno documentário sobre o restauro da Estátua Equestre, concluído em 2013 numa parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa e o World Monuments Fund. O trabalho contou com coordenação científica do Professor Miguel Figueira de Faria, responsável também pela coordenação da tradução agora apresentada e da linha de investigação apresentada.Ao longo do dia ainda estarão presentes as direcções do Museu Machado de Castro e do Museu de Lisboa, pela sua pertinência na ligação ao tema, e serão igualmente divulgados os trabalhos desenvolvidos pelos alunos do Seminário de História da Arte da UAL, integrados na linha de investigação de Urbanismo e Monumentos Públicos do Centro de Investigação em Ciências Históricas (CICH). Os estudos abordam diversos momentos da inauguração do monumento, desde a fundição e transporte da estátua à arquitectura efémera, aos programas musicais e aos carros alegóricos que integraram a celebração setecentista.A iniciativa pretende reforçar o diálogo entre investigação universitária e sociedade, demonstrando como o conhecimento produzido nas universidades pode contribuir para uma compreensão mais ampla do património cultural português.As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias. O programa completo pode ser consultado aqui.